sexta-feira, 23 de outubro de 2009

E se o deus de Caim não gostasse de carne...



  Se o deus de Caim não gostasse de carne, não teria preferido os primogénitos do rebanho do pastor Abel. Se esse deus fosse vegetariano, por um lado, não teria um barrigão como este troll da imagem e, por outro lado, teria aceitado a oferta de frutos da terra  do lavrador Caim.
  Assim, Caim não sentiria ciúmes de Abel e não o teria matado. O mito do bem e do mal não teria visto a luz do Sol e a humanidade não era nem boa nem má, era assim uma espécie de arroz de alho com bife de perú grelhado.
  Claro que não teríamos o frente-a-frente que vai ter lugar hoje à noite na sic notícias entre José Saramago e o padre Carreira das Neves. E eu não estaria a deliciar-me a ler o romance Caim.
No entanto, uma coisa na história narrada no Génesis 4, 1-16 é interessante. O deus de Caim era contra a pena de morte. De contrário, quando Caim lhe diz que teme vir a ser morto, ele não teria respondido:«Se alguém matar Caim, será  castigado sete vezes mais.». E este exemplo, muitos países deste mundo de Deus não seguem, entre os quais os bem-aventurados Estados Unidos da América.
    
Vejam o frente-a-frente, hoje à noite na sic notícias, que deve ser giro!

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viva o governo das Maldivas!



   O governo das Maldivas, o presidente Mohamed Nasheed e onze dos seus ministros, reuniu a quatro metros de profundidade. Com ardósias de plástico, canetas à prova de água, fatos isotérmicos, os membros deste governo comunicaram por escrito e por gestos e assinaram um apelo ao mundo para que, na próxima Cimeira do Clima, no mês de Dezembro, em Copenhaga, fossem definidas metas rigorosas para redução dos gases com efeito de estufa no mundo. 
  O arquipélago das Maldivas, composto por 1192 ilhas e com 396 mil habitantes ficará submerso no final deste século. O presidente pretende criar um fundo para aquisição de terras noutro lugar - Sri Lanka, Índia, Norte da Austália - para onde os seus habitantes possam ir viver, fugindo à morte que se aproxima.
   O governo das Maldivas decidiu tornar-se «neutro em carbono» no prazo de dez anos e investir nas energias renováveis. E os outros governos de todo o mundo o que vão fazer? Que medidas vão sair da Cimeira de Copenhaga?

    Que viva o governo das Maldivas, e a criatividade desse governo!

Agnès Varda no Chiado



  Quando Agnès Varda entrou na sala, no domingo às 19 horas, ela própria era uma obra de arte. Na sua cabeça, Agnès traçou, distinguindo a cor branca dos cabelos da castanha, uma espécie de quipá dos judeus, ou de solidéu dos católicos, ou a tonsura em forma de coroa dos frades franciscanos. Parecia realmente a cabeça de um santo. Talvez antes de um sábio da igreja. (Na fotografia vê-se mais ou menos.)
  Havia muita gente na sala. Muita gente jovem. Pelas intervenções, soube-se depois que tinham visto o seu último filme, As praias de Agnès, e tinham adorado. Agnès, contente, lembrou o pesadelo de um cineasta: o seu filme ser apresentado numa sala de cinema e não estar ningém a ver.
 Com a colaboração de Vasco Câmara, apresentou os filmes do DVD editado recentemente pela FNAC. Mas aproveitou para falar da nossa percepção do tempo, comparando-a a um acordeão, que em certos momentos é mais ampla e noutros  mais estreita.
  Falou também da gramática do cinema e da sua permissão de dar saltos na geografia. No final, referiu que tinha consciência de que poucas pessoas viam os seus filmes e de que essas eram as pessoas que estavam na margem. E lembrou uma frase de Godard:«Mas é na margem que se sustenta o livro.».
   
 Vale a pena estar na margem e conhecer Agnès Varda!
 

domingo, 18 de outubro de 2009

A festa do cinema francês



  Alguns magníficos filmes na festa do cinema francês deste ano!
Eden à l' Oeste, de Costa-Gavras, é a história de Elias um emigrante árabe, daqueles que vêm aos magotes, amontoados em barcos, em direcção à Europa. No mar Egeu, a polícia costeira aborda o barco e alguns dos emigrantes, assustados, lançam-se à água e nadam em direcção à terra maia próxima. Elias aprendera francês e é a Paris que quer chegar. Muitas e engraçadas peripécias mostram a variedade do género humano: os solidários, os pulhas, os homossexuais, as mulheres solitárias em busca de afecto, os exploradores, os ladrões, etc., etc. Até um mágico que trabalha no Lido, nos Champs Elisées, cuja promessa de apoio se torna a luz verde que Elias persegue até ao final do filme.
Erreur de la banque en votre faveur, é uma engraçadíssima comédia, em que o mordomo de uma casa de banqueiros percebe que se ouvir as informações sobre a bolsa de que falam os patrões, pode lucrar, ele e os amigos, investindo em acções. (A vida do bairro parisiense onde estes amigos moram é bem retratada no filme.)  Até que os banqueiros descobrem e lhe preparam uma armadilha. Mas, num genial volte-face, Foucault, o mordomo, vira a situação em seu favor!
La terre de la folie, é um muito interessante documentário sobre as tendências criminosas dos habitantes de uma certa região dos Alpes por onde terá passado a nuvem de poeira radioactiva vinda de Chernobil. As histórias das perturbações mentais sucedem-se, incríveis e com a verdadeira cor local.
Le plaisir de chanter, é outra comédia bem engraçada sobre os alunos de uma aula de canto, todos espiões, franceses e russos, com vozes espantosas. Podemos ouvir a cantora Jeanne Balibar em excelentes excertos musicais.
De Coco Chanel et Igor StravinsKi , poderei dizer o que disse o realizador Jan Kounem, presente no São Jorge, «laissez-vous glisser dans le filme». É a elegância, a música, a ternura, a sedução, a beleza, enfim.
  
 Temos muitos e belos filmes para ver!
     

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Afinal, quem fez ganhar António Costa?



  Daniel Oliveira, ontem à noite, no Eixo do Mal,disse que foi o BE que fez ganhar António Costa, porque os votantes do BE não queriam dar a vitória a Santana Lopes e votaram útil em António Costa. É uma parte da verdade.
   Houve outros factores, tais como:
     1. Só passaram dois anos sobre o estado caótico em que Carmona Rodrigues, na sequência de Santana Lopes, deixou a Câmara de Lisboa. As pessoas lembram-se bem ainda do que levou às eleições de 2007.
      2.  O Movimento Cidadãos por Lisboa obteve 11% da votação nas eleições de 2007 e, embora muitos desses eleitores tenham reagido negativamente ao Acordo Coligatório com António Costa e tenham abandonado o movimento, não houve outro movimento semelhante que substituisse o anterior. Muitos dos CPL votaram Helena Roseta, o que significou António Costa. (Não foi simpático votar num quadradinho que dizia apenas PS. Pelo menos que, no boletim de voto, estivesse UNIR LISBOA.)

   Claro que votar António Costa para presidente não exigia votar PS para a Assembleia Municipal, nem para a Junta de Freguesia. Por isso, Santana Lopes dizia que a CDU tinha dado a vitória a António Costa. Não é verdade, o que aconteceu é que muitos eleitores votaram António Costa para presidente, mas votaram CDU ou BE para a Assembleia  Municipal e para a Junta de Freguesia.
    
    Muitos de nós que não somos PS demos a vitória a António Costa logo quando há dois anos andámos a recolher assinaturas para a candidatura de Helena Roseta e em arruadas da sua campanha!
  

sábado, 10 de outubro de 2009

Presidente OBAMA, já viu o filme «WELCOME» de Philippe Lioret?


  O filme «Welcome», de Philippe Lioret, é magnífico! É um filme sobre as consequências humanas da guerra do Iraque, numa história passada em Calais, onde Bilal, um jovem iraquiano de dezassete anos, chega, com dezenas de emigrantes ilegais, desejando veementemente passar o estreito e chegar a Inglaterra onde o aguarda uma antiga namorada, também iraquiana.
  O filme mostra como aqueles que fizeram a guerra no Iraque ou colaboraram, directa ou indirectamente, se estão «borrifando» para os problemas que originaram, e mais, penalizam juridicamente, de forma cruel, aqueles que procuram ajudar as vítimas da chacina.
   Agora que o presidente dos EUA vai receber o prémio nobel da paz, e eu fiquei muito contente com o facto, porque acho que é um democrata, que conhece a discriminação, e tem revelado, pelo menos nos discursos, que tem inteligência e humanidade, vamos esperar que, não só ponha fim à guerra no Iraque, como  esteja atento às «ramificações» trágicas dessa guerra espalhadas pelo mundo.

  Presidente Obama, vá ver o filme «Welcome» e verta umas lágrimas pela culpa do seu país! E que as lágrimas não sejam de crocodilo!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

OqueStrada



 Já conhece este grupo musical? E o disco Tasca beat - O sonho português?

Andava eu a passear-me pela loja do Museu Berardo quando reparei que a música de fundo era muito gira. Perguntei a um empregado que música era aquela. Primeiro não percebi o que ele disse. Pedi-lhe que escrevesse num papel. Dias depois passei pela Fnac do Chiado e perguntei se tinham o cd. Estava logo ali à vista.
  Em casa, verifiquei que não me tinha enganado. Este grupo é mesmo giro. Se quiser ouvir uma das faixas do cd, ouça na barra de vídeos deste blogue. 
  No cd o grupo apresenta-se assim: «Abençoados por fadistas de garra, filarmónicas, tascas e arraiais, eles celebram um país real e poderoso com o beat no coração e o fado na mão.» (Beat = Pulsação rítmica; batida ou compasso, musical ou cardíaca.) A definição entre parêntesis está no cd.

  É uma boa música para tempo eleitoral. Descontrai, dá-nos vontade de dançar, deixa-nos bem dispostos.
     

terça-feira, 6 de outubro de 2009

«A Evolução para todos»





  A Evolução para Todos, de David Sloan Wilson, foi um dos livros que li em férias. Nele, o autor faz uma análise da nossa vida em sociedade - da religião, da moral, das nossas relações com os outros, dos nossos comportamentos, do comportamento dos nossos animais de estimação, do crime, das grávidas, da beleza, do comportamento dos grupos, da cooperação, do riso, das artes, do futuro das nações, etc., etc., à luz da teoria evolucionista de Darwin.
 Saliento três passagens interessantes:
 1. «os indivíduos e os grupos são impelidos a colher benefícios em detrimento de outros indivíduos e grupos. (...) Devemos estar alerta ante afirmações factuais suspeitas como as que se seguem:
    Afirmação factual                       Mensagem Oculta  
     É pouco saudável.                          Não faças isso.
     É antinatural.                                  Não faças isso.
     É imaturo.                                      Não faças isso.
     É demasiado difícil.                        Não faças isso.
  (...) na maior parte dos casos, estas afirmações factuais são incorrectas enquanto factos e funcionam para influenciar o comportamento»;
 2. «Quando é apropriado, o riso provoca a boa disposição de toda a gente, como sabemos por experiência própria. Mecanicamente, o cérebro liberta um coktail de químicos semelhantes aos que se tomam artificialmente quando se quer passar um bom bocado, como o ópio e a morfina. É perigoso consumir estas substâncias porque elas se limitam a fazer-nos sentir bem sem nos levarem a agir bem. Uma infinidade de anos de evolução levou estes químicos a libertarem-se naturalmente só quando nos fazem agir de uma maneira que aumenta a nossa capacidade de sobrevivência e reprodução. (...) O medo e a fome são tóxicos para o desenvolvimento humano, enquanto o riso é um elixir que o torna possível».
 3.«Tomar a sério a aldeia global.(...)Em 1964, Marshall MacLuhan observou que a rapidez das viagens e da comunicação electrónica está a transformar o mundo numa aldeia global. Esta metáfora merece ser tomada muito a sério.(...)Se pudermos aumentar a escala das interacções da aldeia, com países como indivíduos e o planeta como aldeia, a cooperação mundial tornar-se-á tão natural que surgirá espontaneamente».
  Quando tiver tempo, leia este livro.
  É importante!                          

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O reino da confusão


  
    Reina uma confusão bizarra neste reino «socialista». O rei acusa os ministros de montarem vigilância ao palácio real.
   Terão sabido que alguns cortesãos estavam a participar numa conspiração contra o seu governo e chamaram o rei, que se encontrava no seu palácio de férias, em trabalho como compete a um rei, para vir à capital do reino averiguar todos os deslizes. Claro que o rei ficou desconfiado! Como souberam eles da conspiração? Entraram, os grandes piratas, nos computadores do palácio real, invadiram o e-mail do rei, sugaram tudo como vampiros! Os ministros negam. «O rei está doente, diz coisas sem nexo, está desfazado do mundo...»
  Se calhar é verdade o que diz o rei, os ministros comportaram-se mesmo como piratas da net! Eu acredito. Mas o rei está tão vulnerável como os seus computadores, está frágil e queixa-se aos seus súbditos. Os súbditos ficam confusos e não sabem em quem acreditar. E os ministros lavam as mãos como Pilatos, querem é calar o rei e festejar a sua vitória eleitoral.
  Eu não tenho nada a ver com o rei. Nunca tive. Mas também não gosto muito dos ministros. Se há piratas, punam-se os piratas. Não são essas as regras?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

E assim o político-lobo comeu o eleitor-bobo



   Com palavras doces e disfarces gentis, uns, com «decência » e «elevação», sempre, sempre ao serviço de Portugal e dos portugueses, cheios de «confiança no futuro e ambição para o país» e outros, jurando «fidelidade ao caderno de encargos» (as pensões, as famílias, a autoridade dos professores, a liberdade de escolha na educação, na saúde, na segurança social - cheira a Estado Novo!), enfim, assim os lobos paparam , com sabor a pão de ló, não o capuchinho vermelho e a sua avó, mas o eleitor-bobo que neles votou.
  E, quando chegar a hora dos disfarces se retirarem, o que vão fazer à corrupção? E aos desempregados?  E ao estatuto dos professores? E à idade de reforma? E às pensões de reforma? E aos mais pobres? E aos infantários subsidiados pelo estado? E aos trabalhadores a recibo verde? E à habitação para os jovens? E...? E...?

domingo, 27 de setembro de 2009

Sábado, dia de reflexão eleitoral




  Sabe que sábado, segundo a tradição hebraica, simboliza o repouso depois da actividade, um tempo consagrado a Deus? Deus realizou a sua obra de ciação do mundo durante seis dias e no sétimo repousou.Por isso, homens e animais devem consagrar-Lhe o sábado, fazer o repouso sabático, a oração, a meditação.
 Deve ser por esta razão que, em Portugal, o dia antes das eleições é sempre um sábado. Somos um país religioso? Se não somos, respeitamos a tradição. Imaginemo-nos recolhidos, meditando em José Sócrates, Manuela F. Leite, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas e Francisco Louçã. Gostam dos deuses?
 Eu prefiro o sábado como a festa da Lua Cheia, tradição mais antiga do que a do texto bíblico do Génesis. a que está ligado o sabat das feiticeiras que, neste dia, saíam a cavalo nas suas vassouras  e se reuniam para fazer uma grande festa. Neste caso, enquanto Deus descansa, os demónios agitam-se.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Abraços Desfeitos: gaspacho e tomates




Abraços Desfeitos é o filme de Almodóvar em exibição nos cinemas. Se, de início, o filme me pareceu banal, mesmo pouco interessante, a partir da imagem dos tomates com a lágrima a escorrer por eles, percebi a grande linha de força do filme e a originalidade da sua concepção. O sexo, a escravatura e a violência a que o mesmo pode dar origem, o sexo e o poder do dinheiro, a mulher sem dinheiro que em situações desesperadas cede ao assédio sexual, e também o sexo autêntico, o que advém do amor e é a sua concretização, a sua coerência, estão magnificamente simbolizados nesta imagem. A lágrima sobre os tomates representa o conflito, o sofrimento resultante do choque destes dois tipos de sexo. Lena (Penélope Cruz) é a marionette que o destino coloca nesta encruzilhada. Ela é a vítima sexual do psicopata milionário Ernesto Martel e a amante fogosa de Mateo Blanco. Os tomates para o gaspacho aparecem no filme «Miúdas e Malas» em que Lena é actriz. A mulher prepara habitualmente o gaspacho com aqueles vermelhíssimos tomates para o Ivan. E será no gaspacho que colocará o veneno para o assassinar.
A morte paira sobre estas vidas desditosas. O pai de Lena morre de cancro, Ernesto Martel tenta assassinar Lena, Lena morre num acidente de automóvel em Lanzarote, Mateo Blanco é vítima de uma cegueira cortical irreversível e após a morte de Lena passa a viver na pele do seu pseudónimo Harry Caine. O sexo e a morte estão juntos e muito bem tratados neste filme, sem faltar a mulher espanhola nervosa, golpista e um pouco estúpida. Mas sobretudo as cores, os sapatos vermelhos de Lena, o seu fato vermelho e os tomates, sobretudo os tomates. Almodóvar não nos traíu.
Uma curiosidade: Lanzarote é uma ilha pequena onde um acidente de automóvel deve acontecer
uma vez no século, mas o grande arquitecto César Manrique morreu atropelado em frente de sua casa, a casa que arquitectou e que é hoje um dos mais originais centros de arte que já visitei, a Fundación César Manrique. O acidente em que Lena morre dá-se perto dessa casa, aliás terá sido a escultura metálica do catavento, da autoria do artista, que terá encandeado o jeep que chocou contra o carro em que Lena e Mateo seguiam.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sarkozy: o tique iconoclasta

  Soubemos, no passado dia 14, na entrevista de os «Gato Fedorento» a José Socrates, que Nicolas Sarkozy é o líder europeu que possui algumas das características que José Sócrates aprecia. E descreveu essas características - o presidente Sarkozy «gosta de correr riscos, mostra uma certa impaciência com a burocracia europeia e tem um tique iconoclasta».
  O« tique iconoclasta» fez-me pensar. Iconoclasta, porquê? Quando venceu as eleições em 2007, Sarkozy apareceu como um manso cordeiro ao lado de Cécile, com quem, oportunamente, voltara a viver pouco tempo antes do evento eleitoral. Mas, alguns meses depois, ousadamente, divorciou-se e o relacionamento amoroso com a cantora e ex-modelo Carla Bruni tornou-se público. Realmente Sarkozy é rápido nos afectos e nas decisões e provou que não tem inibições. Em relação ao caso Ingrid Bettencourt, decidiu que iria acabar com o seu cativeiro e fez tudo o que foi possível para o concretizar. Conseguiu. No caso das enfermeiras que haviam sido condenadas à morte no Irão, já com a imagem de Carla Bruni como arma, conseguiu que fossem extraditadas para França. Sarkozy não tem revelado preconceitos e tem provado que luta, como um iconoclasta, pelas suas convicções.O «tique iconoclasta» é uma boa apreciação. Posso dizer que foi a única parte da entrevista de José Sócrates que me interessou. Estava farta, farta, farta de o ouvir repetir «eles bem me avisaram». Os filhos a servir de escudo de forma tão ostensiva, não!

domingo, 20 de setembro de 2009

Pois, Café


Há novos espaços em Lisboa. Este não é novo, tem cinco anos, mas eu só o descobri hoje. Fica na rua de São João da Praça, do lado direito da Sé, bairro da Graça. Os donos são austríacos. (Lá vêm os estrangeiros ensinar-nos.)
Não imaginam como é agradável, num domingo de manhã, num passeio a pé desde o Largo Camões, entrar num espaço como este! Reina uma tranquilidade, um bem estar, uma delicadeza sem «etiqueta»... Há uma pequena feira do livro usado, crianças que brincam à vontade, clientes que entram com os seus cães e se sentam com eles ao pé, mesas e cadeiras que aproveitam os espaços mais inesperados, móveis que poderão ter sido comprados na feira da ladra, pessoas com os seus amigos ou família que só por se sentarem neste espaço já parecem diferentes. Eu comi sopa de cenoura com courgette e ovos mexidos com tomate e cogumelos. Paguei pouco e saí com vontade de lá levar outros amigos. Será que este tipo de espaços vai pegar em Lisboa? Atenção: fecha à segunda feira.

Alberto Caeiro: O amor é uma companhia




















O amor é uma companhia
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Nota: Este poema estava integrado no texto que Diogo Dória interpretou no dia 16 de Setembro na Casa Fernando Pessoa. Finalmente, encontrei-o.