terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Há quem fale de «mitos climáticos»

  No programa Expresso da Meia-noite, da última sexta-feira, na Sic Notícias, discutiu-se a Cimeira de Copenhaga. (Eu só vi o programa ontem na sic online, porque, na sexta-feira à noite, estava na Aula Magna a assistir ao concerto comemorativo dos 25 anos da AMI.)
  No Expresso da Meia-noite, esteve o engenheiro Rui Moura, que é um conhecido céptico em relação às alterações climáticas e que mantém, desde há cerca de 5 anos, o blogue MITOS CLIMÁTICOS .
  Rui Moura considera que «o aquecimento global não existe nem é provocado pelo homem, o homem está rigorosamente inocente». Para ele, «a solução da Cimeira de Copenhaga era não haver solução porque, como não há problema, não há solução».
  A última glaciação acabou há cerca de 10.000 anos e, desde então, a temperatura do planeta começou a subir, como é natural. 600 ou 800 anos após o final da glaciação, os gelos começam a libertar dióxido de carbono (CO2). Portanto, o aumento da temperatura é que provoca o aumento da concentração de CO2 e de outros gases que originam o efeito de estufa. O clima não tem nada a ver com a poluição. Além disso, o CO2 não é um poluente.
 A poluição é outro problema e é porque prejudica a saúde que deve ser resolvido.
 As calotas polares - Árctico e Antárctico - estão a aumentar, não há problema nenhum com elas.
   O Greepeace é um conjunto de ignorantes que só querem alcançar espaço público aterrorizando as pessoas  CAVALGADA APOCALÍPTICA - mostra bem isso.
  O filme que iniciou a Cimeira, e que coloquei neste blogue num post anterior, é,segundo este ponto de vista, disparatado e estupidamente assustador.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Não era divertida «A Nova Vida do Senhor O'Horten»



 O senhor Odd  Horten, um maquinista norueguês de 67 anos, reforma-se.(A reforma é aos 67 anos na Noruega.) Os colegas de trabalho fazem-lhe uma festa de homenagem, oferecem-lhe uma miniatura de locomotiva, mas a alegria de Odd não é nenhuma. (Lembram-se do filme «35 shots de rum»? - podem ler o post deste filme se pesquisarem neste blogue.)
  O senhor Odd está receoso e distante, como se não soubesse bem o que se iria passar a seguir. E, de facto, todo o filme passa a ser o carpe diem. Penso que foi essa a ideia do realizador Bent Hamer - colocar um homem, com todas as horas do dia à sua disposição, num país em que a comunicação é difícil, cada personagem parece uma estátua de gelo, a neve cai constantemente, o vestuário é pesado, as ruas são perigosas pistas congeladas, os cafés são sorumbáticos e misteriosos, enfim, o isolamento e a solidão decoram a paisagem.
  Horten passa, com um aspecto impassível e resignado, pelas cenas que se sucedem , isto é, pelas situações esquemáticas e estranhas que chegam até ele: uma criança que os pais deixaram sozinha em casa e que exige que Horten lhe faça companhia até adormecer (precisamente enquanto, no andar de cima, decorre a sua festa de homenagem); uma amiga solitária que lhe dá de jantar a horas tardias e que nem se senta à mesa com ele; uma comerciante de tabaco e de cachimbos (Horten fuma incessantemente cachimbo, mais parecendo um velho marinheiro) que lhe dá, casualmente, a notícia da morte do marido, um companheiro de piscina de Horten, e, em cuja  loja, entra múltiplas vezes um velho esclerosado que perde os fósforos assim que chega à rua; um idoso que está caído numa rua em Oslo (a cena mais interessante do filme) que o convida para dormir em sua casa e lhe revela as suas idiossincrasias, como gostar de conduzir automóveis com os olhos vendados. 
  A novidade da vida de O'Horten é que tem tempo para se deixar estar, para observar, não se rala com coisa nenhuma, nem com as burocracias, nem com as extravagâncias, nem com as injustiças, nem... O mundo é assim...
 O New York Post diz que este filme é «uma pequena obra prima de humor». Eu direi que se trata de um humor fleumático, à inglesa. O expectador vai esboçando sorrisos, sorrisos semelhantes ao sorriso do senhor Horten na imagem da fotografia, em que segura na molengona cadela do amigo inventor que morreu enquanto conduzia o seu automóvel de olhos vendados.
  Fiquei assustada com a noruega. Cá no sul, a vida é mais simpática!   

sábado, 12 de dezembro de 2009

Finalmente fui à livraria Trama



  Estava para ir à rua São Filipe Nery e entrar na livraria Trama há bastante tempo. Tinha visto o blogue (o endereço está nos Favoritos do meu outro blogue a abrir o moleskine ), aliás, vejo o blogue de vez em quando - tem indicações interessantes sobre livros, fotografias giras e alguns textos com piada, os da Catarina.
  É um espaço simpático. Perguntei pelos livros de poesia de Gonçalo M. Tavares, de quem tinha lido um poema no blogue e que não encontrara nas Fnacs. Dos dois livros de poesia do autor, havia um - Investigações. Novalis -, prémio de revelação  poesia APE 1999. Disse que o levaria e deixei-o em cima do balcão.
  Subi as escadas e fui saborear o espaço, um óptimo café e os livros que por lá havia.
  Quando desci, a Catarina do blogue estava a falar de quê? Do blogue. Gostava de escrever poesia, mas acha que não consegue. Saiu-me: Olha a famosa Catarina do blogue! Rimo-nos todos.
   Estive ainda a ver os dvds - alguns filmes da Agnès Varda - e os cds. Paguei o livro do Gonçalo Tavares e dei o meu email. Para os concertos e outros eventos, das quintas e sábados.

     (Já passei algum tempo com a poesia do Gonçalo Tavares. Deixo um poema:
          geografia pesada:pedra.
          geografia leve: ar
          geografia de peso intermédio: Corpo.
          geografia exaustiva: deus.
          (Deus não dá ESPAÇO ao Espaço).
          Deus recusa o INTERVALO.
          Deus não tem Intervalos.   )

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A «jihad» de Barack Obama



  Barack Obama recebeu hoje, em Oslo, o prémio nobel da paz. No entanto, no seu discurso de agradecimento usou 44 vezes a palavra guerra, o que prova que a guerra é, para ele, hoje, uma culpabilidade e uma obsessão.
  Se tivermos em conta que, nas suas inúmeras justificações para as duas guerras que os E.U.A. travam e para os 30.000 soldados que acaba de enviar para o Afeganistão, usou frases como: «O mal existe mesmo no mundo.», «A força por vezes é necessária», «A guerra tem um papel a desempenhar na paz.», lembramo-nos da jihad islâmica, da guerra sagrada, a guerra necessária para construir um mundo perfeito, de onde o «mal» seja definitivamente banido.
   O grande problema na «História do progresso Humano» é que o «mal» depende da subjectividade dos homens, ou melhor, das suas ideologias, das suas religiões, para não falar dos interesses económicos  que quase sempre se misturam com estas.
  O discurso de hoje de Barack Obama parece-me muito comprometedor e perigoso, porque justifica demasiado a guerra e, portanto, o caminho está aberto para continuá-la.
   Não há negociações possíveis com a Al Qaeda? O terrorismo chegou a um climax. A paz é uma arma impossível. Por isso, o júri que atribuiu o prémio nobel a Obama  ou foi ingénuo ou pretende colocar a paz na ponta das espadas como, na Idade Média, a Igreja fez com as Cruzadas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ainda notícias da Ria




   A vida continua tranquila na Ria Formosa e na vila. Mas tivemos uma má notícia. Morreu o senhor Teodomiro.
  O senhor Teodomiro era pai do senhor João do Capri. O Capri é o nosso restaurante preferido, quase familiar, na vila. O senhor Teodomiro era uma figura muito simpática, muito presente. Durante as refeições, ia várias vezes à mesa perguntar se estava tudo bem. Perguntava-nos pela família. Queria ser sempre o mais prestimoso empregado do restaurante.
   A primeira vez que lhe perguntei o nome, respondeu-me:«Tio». Eu fiquei a olhar para ele, a pensar que, possivelmente, ele queria ser o nosso tio. Só mais tarde é que soube o verdadeiro nome dele e percebi o diminutivo.
  Morreu em poucos dias com um AVC. Pelo menos, agora, enquanto está presente nos nossos olhos, falta alguém nesta vila.
  

domingo, 6 de dezembro de 2009

Um concerto pelo pianista Luís Conceição


  Ao fim da tarde de ontem, quando passeávamos pela cidade de Tavira (que aconselho a toda a gente de bom gosto), entrámos na igreja da Misericórdia e, para surpresa nossa, o pianista Luís Conceição ia iniciar um concerto de piano. A igreja estava cheia de gente que sabia o que estava ali a fazer.
  Luís Conceição, para além de ter um assinalável currículo como pianista, é também compositor (compôs até à data mais de 200 obras). 
  Foi um magnífico concerto - valsas, polonaises (Chopin), etc.! 
  É bem giro este pianista!
  Vamos descobri-lo no deus google??

sábado, 5 de dezembro de 2009

E assim vai a Ria...



   Não, não se trata dos efeitos das alterações climátimáticas. É apenas uma manhã de maré baixa na ria Formosa. Uma manhã de sábado, com sol como é próprio dos sábados.A paisagem da ria, frente ao pequeno mercado de rua com legumes e frutas, frescos e saborosos, bem diferentes dos que compramos em Lisboa nos supermercados, reconcilia-nos com a paz, com a tranquilidade, que o uso e abuso dos media no universo citadino nos faz esquecer.


    E esta é a pequena vila que vive da ria, com a antiga mesquita ao fundo e as brancas açoteias que nos lembram o norte de África. Este é o Algarve que ainda não é, felizmente, o Allgarve, é aquele de que nós dizemos baixinho  que «é preciso manter desconhecido, é preciso não dizer onde é nem como é». Nós, os que o destino premiou com a sorte de o conhecermos e de podermos disfrutar dele. Claro que «nós» somos os que não gostamos do Algarve do barlavento, aquele que os estrangeiros estragaram e de que os portugueses «ditos civilizados» gostam.