quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Casas destruídas na Ilha da Fuzeta

 
  As fotografias foram tiradas há dois anos atrás. O video que está a seguir mostra as imagens de agora.
  Esperemos que, desta vez, haja uma séria preocupação de retirar os destroços da praia para que não aconteça o mesmo que da outra vez. Ficaram na praia, até ao início da época balnear,objectos de toda a espécie, alguns muito perigosos.
  Estas ilhas são móveis e estão a modificar-se, como é natural. As casas é que não deveriam estar lá.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ainda a Cimeira de Copenhaga - Controvérsias científicas



«A OPINIÃO PÚBLICA TEM MOTIVOS PARA DESCONFIAR DA INFORMAÇÃO SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: O ASSUNTO É COMPLEXO, E A CONTAMINAÇÃO POLÍTICA AUMENTOU A CONFUSÃO. O INVERNO FRIO PARECE DESMENTIR A IDEIA DE AQUECIMENTO GLOBAL.»
Controvérsias científicas e as razões para a urgência - Especiais - DN

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Herta Muller - «A Terra das Ameixas Verdes», um romance matriosca


  Herta Muller recebeu o prémio nobel da literatura no passado dia 10 de Dezembro em Estocolmo. O prémio fora anunciado em 8 de Outubro. Os seus dois romances que tinham sido traduzidos em Portugal encontravam-se esgotados nessa altura e só um mês mais tarde foi reeditado pela Difel o romance A Terra das Ameixas Verdes. Foi então que o comprei. Só agora acabei de o ler. Sou lenta.
  Gosto da escrita da Herta Muller. É uma prosa, com alguma frequência, com características poéticas, frases curtas organizadas em pequenas sequências, e um processo narrativo que se desenrola como se abre uma boneca matriosca russa. Em cada sequência, surgem novos pormenores da história - do passado, do presente ou do futuro - e é assim, abrindo-se o invólucro de cada acontecimento e descobrindo lá dentro outro, que se vai desenrolando a história. Muito engraçado!
  A história passa-se na Roménia de Ceausescu, a dita comunista, recheada de processos de perseguição, de assassinatos (o Ditador fazia cemitérios, o Capitão Pjele fazia cemitérios, os cemitérios são a metáfora preferida para a eliminação humana em larga escala), de fugas do país e de mortes em fuga, da violação de correspondência, dos cabelos colocados nas cartas para detectar a violação, dos livros escondidos, das casas escondidas, dos amigos encontrados às escondidas, enfim, quem viveu num regime fascista conhece ou ouviu falar de tudo isto. A clandestinidade permanente, a mentira permanente, o «atormenta-galinhas» permanente.
 E as ameixas verdes que todas as personagens colhiam das árvores e comiam, as ameixas verdes que embriagavam e corroiam os corpos, faziam parte da autodestruição, talvez desejada, talvez  inevitável, pelo menos sempre presente nos olhos da narradora.
  Tenciono ler mais romances de Herta Muller.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Magnífico! - a Fanny Ardant e o seu filme «Cinzas e Sangue»



    A actriz Fanny Ardant esteve, hoje, no cinema King, em Lisboa, após a anteestreia do primeiro filme que realizou - Cinzas e Sangue . Não era a actriz, realmente, era a realizadora. Era uma mulher que tinha arriscado fazer um trabalho - realizar um filme sobre uma história que imaginara muitos anos antes e que, durante uma estadia na Transilvânia, pensara ser ali o local ideal para a situar -, embora tivesse consciência que todas as histórias já foram contadas e todos os filmes realizados. Ainda assim, arriscara fazê-lo e cada espectador que o visse, seria para ele que o filme fora realizado. Paulo Branco foi o produtor escolhido por Fanny Ardant.
 E, se Fanny Ardant foi uma presença de uma encantadora simplicidade e proximidade, o filme é um muito interessante filme sobre a força cega e violenta das tradições (mais ferozes numas regiões do que noutras - neste caso era a Roménia, mas poderia ser a Sicília ou a Macedónia, por exemplo). Ali, quando se cumprimentam, os homens beijam os homens e as mulheres beijam as mulheres. Ali, matar pela honra não faz de um homem um assassino. O jogo de Xadrez é a metáfora do perigo e do poder de cada acto, de cada gesto, de cada opção. O amor confronta-se com as leis, com a dureza das regras sociais e familiares. E a morte e o sofrimento  são consequência do ódio dos homens-lobos que compõem a irracionalidade deste planeta.
  Adorei estar lá, naquela sala do cinema King!!
 

Inverno em todo o país






(As fotografias foram retiradas de Publico.pt.)

Protecção Civil lança alerta amarelo para amanhã em todo o Continente - Local - PUBLICO.PT

Os termos do "Acordo de Copenhaga"

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Há quem fale de «mitos climáticos»

  No programa Expresso da Meia-noite, da última sexta-feira, na Sic Notícias, discutiu-se a Cimeira de Copenhaga. (Eu só vi o programa ontem na sic online, porque, na sexta-feira à noite, estava na Aula Magna a assistir ao concerto comemorativo dos 25 anos da AMI.)
  No Expresso da Meia-noite, esteve o engenheiro Rui Moura, que é um conhecido céptico em relação às alterações climáticas e que mantém, desde há cerca de 5 anos, o blogue MITOS CLIMÁTICOS .
  Rui Moura considera que «o aquecimento global não existe nem é provocado pelo homem, o homem está rigorosamente inocente». Para ele, «a solução da Cimeira de Copenhaga era não haver solução porque, como não há problema, não há solução».
  A última glaciação acabou há cerca de 10.000 anos e, desde então, a temperatura do planeta começou a subir, como é natural. 600 ou 800 anos após o final da glaciação, os gelos começam a libertar dióxido de carbono (CO2). Portanto, o aumento da temperatura é que provoca o aumento da concentração de CO2 e de outros gases que originam o efeito de estufa. O clima não tem nada a ver com a poluição. Além disso, o CO2 não é um poluente.
 A poluição é outro problema e é porque prejudica a saúde que deve ser resolvido.
 As calotas polares - Árctico e Antárctico - estão a aumentar, não há problema nenhum com elas.
   O Greepeace é um conjunto de ignorantes que só querem alcançar espaço público aterrorizando as pessoas  CAVALGADA APOCALÍPTICA - mostra bem isso.
  O filme que iniciou a Cimeira, e que coloquei neste blogue num post anterior, é,segundo este ponto de vista, disparatado e estupidamente assustador.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Não era divertida «A Nova Vida do Senhor O'Horten»



 O senhor Odd  Horten, um maquinista norueguês de 67 anos, reforma-se.(A reforma é aos 67 anos na Noruega.) Os colegas de trabalho fazem-lhe uma festa de homenagem, oferecem-lhe uma miniatura de locomotiva, mas a alegria de Odd não é nenhuma. (Lembram-se do filme «35 shots de rum»? - podem ler o post deste filme se pesquisarem neste blogue.)
  O senhor Odd está receoso e distante, como se não soubesse bem o que se iria passar a seguir. E, de facto, todo o filme passa a ser o carpe diem. Penso que foi essa a ideia do realizador Bent Hamer - colocar um homem, com todas as horas do dia à sua disposição, num país em que a comunicação é difícil, cada personagem parece uma estátua de gelo, a neve cai constantemente, o vestuário é pesado, as ruas são perigosas pistas congeladas, os cafés são sorumbáticos e misteriosos, enfim, o isolamento e a solidão decoram a paisagem.
  Horten passa, com um aspecto impassível e resignado, pelas cenas que se sucedem , isto é, pelas situações esquemáticas e estranhas que chegam até ele: uma criança que os pais deixaram sozinha em casa e que exige que Horten lhe faça companhia até adormecer (precisamente enquanto, no andar de cima, decorre a sua festa de homenagem); uma amiga solitária que lhe dá de jantar a horas tardias e que nem se senta à mesa com ele; uma comerciante de tabaco e de cachimbos (Horten fuma incessantemente cachimbo, mais parecendo um velho marinheiro) que lhe dá, casualmente, a notícia da morte do marido, um companheiro de piscina de Horten, e, em cuja  loja, entra múltiplas vezes um velho esclerosado que perde os fósforos assim que chega à rua; um idoso que está caído numa rua em Oslo (a cena mais interessante do filme) que o convida para dormir em sua casa e lhe revela as suas idiossincrasias, como gostar de conduzir automóveis com os olhos vendados. 
  A novidade da vida de O'Horten é que tem tempo para se deixar estar, para observar, não se rala com coisa nenhuma, nem com as burocracias, nem com as extravagâncias, nem com as injustiças, nem... O mundo é assim...
 O New York Post diz que este filme é «uma pequena obra prima de humor». Eu direi que se trata de um humor fleumático, à inglesa. O expectador vai esboçando sorrisos, sorrisos semelhantes ao sorriso do senhor Horten na imagem da fotografia, em que segura na molengona cadela do amigo inventor que morreu enquanto conduzia o seu automóvel de olhos vendados.
  Fiquei assustada com a noruega. Cá no sul, a vida é mais simpática!   

sábado, 12 de dezembro de 2009

Finalmente fui à livraria Trama



  Estava para ir à rua São Filipe Nery e entrar na livraria Trama há bastante tempo. Tinha visto o blogue (o endereço está nos Favoritos do meu outro blogue a abrir o moleskine ), aliás, vejo o blogue de vez em quando - tem indicações interessantes sobre livros, fotografias giras e alguns textos com piada, os da Catarina.
  É um espaço simpático. Perguntei pelos livros de poesia de Gonçalo M. Tavares, de quem tinha lido um poema no blogue e que não encontrara nas Fnacs. Dos dois livros de poesia do autor, havia um - Investigações. Novalis -, prémio de revelação  poesia APE 1999. Disse que o levaria e deixei-o em cima do balcão.
  Subi as escadas e fui saborear o espaço, um óptimo café e os livros que por lá havia.
  Quando desci, a Catarina do blogue estava a falar de quê? Do blogue. Gostava de escrever poesia, mas acha que não consegue. Saiu-me: Olha a famosa Catarina do blogue! Rimo-nos todos.
   Estive ainda a ver os dvds - alguns filmes da Agnès Varda - e os cds. Paguei o livro do Gonçalo Tavares e dei o meu email. Para os concertos e outros eventos, das quintas e sábados.

     (Já passei algum tempo com a poesia do Gonçalo Tavares. Deixo um poema:
          geografia pesada:pedra.
          geografia leve: ar
          geografia de peso intermédio: Corpo.
          geografia exaustiva: deus.
          (Deus não dá ESPAÇO ao Espaço).
          Deus recusa o INTERVALO.
          Deus não tem Intervalos.   )

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A «jihad» de Barack Obama



  Barack Obama recebeu hoje, em Oslo, o prémio nobel da paz. No entanto, no seu discurso de agradecimento usou 44 vezes a palavra guerra, o que prova que a guerra é, para ele, hoje, uma culpabilidade e uma obsessão.
  Se tivermos em conta que, nas suas inúmeras justificações para as duas guerras que os E.U.A. travam e para os 30.000 soldados que acaba de enviar para o Afeganistão, usou frases como: «O mal existe mesmo no mundo.», «A força por vezes é necessária», «A guerra tem um papel a desempenhar na paz.», lembramo-nos da jihad islâmica, da guerra sagrada, a guerra necessária para construir um mundo perfeito, de onde o «mal» seja definitivamente banido.
   O grande problema na «História do progresso Humano» é que o «mal» depende da subjectividade dos homens, ou melhor, das suas ideologias, das suas religiões, para não falar dos interesses económicos  que quase sempre se misturam com estas.
  O discurso de hoje de Barack Obama parece-me muito comprometedor e perigoso, porque justifica demasiado a guerra e, portanto, o caminho está aberto para continuá-la.
   Não há negociações possíveis com a Al Qaeda? O terrorismo chegou a um climax. A paz é uma arma impossível. Por isso, o júri que atribuiu o prémio nobel a Obama  ou foi ingénuo ou pretende colocar a paz na ponta das espadas como, na Idade Média, a Igreja fez com as Cruzadas.