segunda-feira, 26 de abril de 2010

No jardim do Museu da Cidade - Bordallo Pinheiro e Joana Vasconcelos


  Joana Vasconcelos criou uma instalação encantatória de peças de Bordallo Pinheiro - peixes, lagostas, rãs, lagartos,
cavalos-marinhos, macacos, cobras, cogumelos, etc.
  Num jardim de Buxo, cheio de pequenos lagos, estes animais nadam, trepam pelas fontes, balançam nas árvores, sobem pelas paredes, espreitam no meio do buxo, espantam-nos e encantam-nos.
  Parabéns à  Catarina Portas pela ideia e à Fábrica Bordallo Pinheiro pela produção das peças! E à Joana Vasconcelos pela cor, animação e organização artística deste jardim!
 
    E encantem-se também com os pavões - nunca tinha visto espécimes tão magníficos - que vivem e se passeiam soberbamente neste jardim. ( Os pavões não são de cerâmica!)











Aqui está um dos pavões:

 

  (Fotografias de João Pinho)



 

sábado, 24 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Joana Vasconcelos - uma arte respigadora

 
  A exposição da artista plástica Joana Vasconcelos, no Museu Berardo - CCB em Lisboa -, com entrada gratuita, é uma arte feita de objectos utilitários, presentes e passados, restos de tecidos, coisas recolhidas de sótãos, de desperdícios, de restos de colecções, talvez de sucatas.
   Cada instalação deve ser demoradamente observada e o visitante poderá deliciar-se com a sua simbologia. Do sofá de aspirinas e da cama de valiuns à burca e à carrinha com senhoras de Fátima, muitos sorrisos se vêem nos rostos de quem olha. 
 Os visitantes podem interagir com algumas das instalações e assim mais se aproximam desta arte que tem, de facto, que ver connosco.
  As fotografias que coloco neste post foram tiradas por um amigo meu numa das visitas que fiz a esta exposição.

 


   









(Fotografias de João Pinho)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Entre fumos vulcânicos, tornados e comissões de inquérito

(dn.pt)


  O planeta mexe-se, vai-se transformando, a crosta terrestre ajusta as suas fendas, os vulcões entram em erupção, criam novas terras, perturbam os voos dos aviões  (a evolução do planeta não pede licença à civilização humana obviamente), ocasionam incómodos aos humanos, enfim, os media vão tendo trabalho garantido. 
 O aquecimento global vai trazendo sempre novidades. Os tornados e as trombas de água começam a ameaçar com alguma frequência este país, outrora um paraíso climático. Quem vamos culpar? Nós próprios? O processo natural de aquecimento do planeta à medida que nos afastamos do período de glaciação de há dez mil anos?
  No parlamento deste país, as comissões de inquérito são imparáveis, organizando, pouco a pouco, o puzzle gigantesco da corrupção (puzzle de quantos  milhares de peças?), criando nervosismo nos inquiridos ( o ex-ministro Mário Lino já tratava um deputado por Sr. Computador) e a náusea nos espectadores televisivos que não suportam mais a choldra mal cheirosa em que se converteu o espectáculo.
  Entretanto, o trabalho dos deputados relativamente ao orçamento de estado parece ter parado... A governação parece caminhar em ponto morto... De leis, é só conversa!
   Felizmente, o planeta «pula e avança»!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Ilustrarte 2009 termina no Domingo (dia 4 de Abril)

(publico.pt)


  Se ainda não viu a IV BIENAL INTERNACIONAL DE ILUSTRAÇÃO PARA INFÂNCIA, pode fazê-lo até Domingo, dia 4 de Abril, no Museu da Electricidade.
 A Ilustrarte 2009 apresenta trabalhos de 50 artistas de 14 países (150 ilustrações originais)
 Já vi duas vezes esta exposição e, se não aconselhei antes, faço-o agora.
 É pena que a ilustradora Danuta Wojciechowska não esteja presente. Mas está a Teresa Lima e o André Letria. Gostei muito da italiana Anna Castagnoli, entre outros.

Bullying nos blogues

  


O google comemora hoje o 205º aniversário de Hans Christian Andersen e este blogue a sua 100ª mensagem.
  Por isso gostaria de falar do bullying que pode ser feito nos blogues.
 Os blogues são um espaço de comunicação pública, internáutica, podem ser mais ou menos úteis, devem ter a preocupação de uma informação correcta, que poderá ser mais ou menos desenvolvida, poderão ser blogues mais pessoais ou menos, apenas organizadores de informação, por exemplo. Muitos blogues seleccionam apenas poesia de autores consagrados, outros recolhem artigos informativos ou de opinião de autores devidamente identificados, outros seleccionam quadros de pintores reconhecidos, outros recolhem receitas de culinária, outros apresentam reflexões pessoais, outros são quase diários, outros são essencialmente políticos, etc., etc. A oferta é pluralíssima e ninguém é obrigado a visitá-los ou a deter-se neles.
  Quem faz comentários deveria ser honesto. Limitar-se ao que está escrito ou é apresentado e não tecer afirmações verrinosas que mostram, por vezes, apenas ódio pessoal. Muitas vezes, são pessoas que estão próximas, até pseudo-amigos ou pseudo-familiares que o fazem. Por invejas ou outras motivações mesquinhas! Claro que estes comentários vêm sempre anónimos, o que não quer dizer que quem sabe analisar a linguagem não lhes possa detectar a origem
  Felizmente, os blogues têm sempre a possibilidade de optar pela moderação permanente de comentários. Seria, no entanto, bom, que não existisse gente desta. 
  Eu, por mim, dispenso as visitas dessa gente a este blogue.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Imagens da recente erupção vulcânica na Islândia

  Este video que, felizmente, consegui reeencontrar, foi o melhor que encontrei no youtube da recente erupção vulcânica na Islândia.
  Eu estive na Islândia há uns anos atrás e gostei imenso deste país.
  Por um lado, pode-se encontrar lá, reunidos num país de reduzidas dimensões, todos os fenómenos da Natureza com que nós, mediterrânicos, sonhamos: glaciares, icebergs, vulcões, as mais magníficas cataratas do mundo, solfataras, geisers, enfim, grandes maravilhas naturais deste planeta. Por outro lado, vi, com grande admiração, a preocupação deste país em preservar a natureza: a resistência à construção de grandes centrais eléctricas ou nucleares, por exemplo, o aproveitamento para a vida diária e civilizada dos recursos naturais - a água quente corre nas torneiras através do aproveitamento de caldeiras naturais no interior da terra.
  Por isso esta erupção me interessou realmente. Estou a seguir a evolução do fenómeno - hoje, 2 de Abril, a fissura aumentou. Não existem, por enquanto, danos pessoais. A população das redondezas foi retirada de forma civilizada e sem dramatismos, como seria de esperar. Possivelmente o país poderá vir a lucrar muito com esta erupção.
  E também, não deixarei de assinalar que a beleza dos vulcões me atrai.



sábado, 27 de março de 2010

Qual será o rumo dos passos do Coelho?


  Alice, de Lewis Carroll, segue o coelho porque este lhe aparece todo encasacado, com um relógio de bolso que deixa adivinhar a sua pressa em dirigir-se a algum lugar, com certeza um lugar importante. 
  Pedro Passos Coelho pareceu, durante a campanha das directas para líder do PSD, estar também muito apressado para derrubar o Governo e José Sócrates. Os militantes do PSD resolveram segui-lo, tal como Alice.
 A questão está em saber o que acontecerá quando o coelho se aproximar do buraco.
 A situação política portuguesa e internacional é complexa como toda a gente sabe. A força do Governo ou a ausência dela e a determinação nas políticas económicas provocam, neste momento, variações nas malditas agências de rating que aumentam os juros e o déficit das finanças públicas de maneira assustadora.
 Durante a campanha, Passos Coelho falava na rejeição do PEC com o mesmo nonsense com que o coelho de Alice olhava para o relógio. Assim ganhou as eleições, porque, obviamente, ninguém pode gostar do PEC, nem mesmo os militantes do PSD.  
  No entanto, o momento é para criar aparências, visto que disso vive o sistema capitalista. E se o Coelho não tiver, agora, muito cuidado com os seus passos, poderemos deslizar todos pelo buraco e vermo-nos, de um momento para o outro, dependurados como coelhos nos talhos, num país que não cessa de encolher.
  Por isso, que o Coelho se preocupe com o vestuário e, para já, não dê muita corda ao relógio. Que o caminho para o buraco seja lento!!

sábado, 20 de março de 2010

Trocas de Trocado em tempos de P.E.C.


O Secretário de Estado da Educação João Trocado da Mata trocou, ontem, por diversas vezes, a fórmula inicial do seu discurso na Assembleia da República. Primeiro, começou o discurso por S.ras Deputadas e foi imediatamente interrompido pelo Presidente da Assembleia, Jaime Gama, que o corrigiu. Em seguida, passou a Sr. Presidente, S.res Deputados e Jaime Gama corrigiu-o de novo. À terceira vez, começou por Sr. Presidente, S.ras Deputadas. Neste momento, Jaime Gama recusou-se a dar-lhe a palavra. Então, alguém soprou a fórmula certa e só então o Secretário Trocado da Mata iniciou a sua intervenão correctamente, de acordo com as supostas regras da Assembleia - Sr. Presidente, S.ras e S.res Deputados.
  Que diabo! Não seria preferível fazer uma breve formação inicial para os recém-chegados à política e ao parlamento para não sujeitar esses políticos a estes vexames?
  Será que Jaime Gama queria desviar a atenção do P.E.C.? Ou nutrirá alguma antipatia pelo secretário Trocado? Ou, para fazer humor, terá resolvido gozar com o apelido «Trocado» do secretário? E ainda por cima da educação!! Na verdade, o secretário Trocado deveria ser exemplarmente correcto. Para educar os outros cidadãos!
  É óbvio que o P.E.C. passou, ontem, a segundo plano e as trocas do secretário Trocado passaram a momento do dia. E não houve telejornal que não repetisse a cena. Espanta-me que ainda não esteja no Youtube (verifiquei antes de começar este post ).
 

segunda-feira, 15 de março de 2010

O clima de suspeição no filme «Estado de Guerra», de Kathryn Bigelow

(publico.pt)

  Há guerra, há trabalho, há missão! Os soldados americanos foram para o Iraque porque o governo do seu país assim o decidiu e têm que cumprir o serviço militar que lhes foi destinado. A quase totalidade desses soldados gostaria de não estar ali, tem medo, preferiria não enfrentar a morte, obviamente. São seres humanos e aquela não é a sua causa. Para alguns, no entanto, aquele trabalho torna-se uma dependência e a guerra funciona como uma droga.
  No entanto, no meu ponto de vista, a parte mais interessante deste filme de Kathryn Bigelow é o clima de suspeição que os soldados americanos enfrentam no Iraque. Todos os iraquianos se comportam como suspeitos, são vistos pelos soldados como suspeitos. Homens, mulheres, velhos, novos, crianças! Nas varandas, nas janelas, nos minaretes, nos mercados, nas ruas! As suas caras, a sua postura, os seus gestos ou ausência deles, tudo nos iraquianos é suspeito. E a tensão que advém dessa suspeição é insuportável para os soldados, quase insuportável para o expectador.
   O filme está extremamente bem feito. Eu não gosto de filmes de guerra. Gostei deste.
   E ficou-me a pergunta: Se ninguém queria lá os americanos a que propósito é que se foram lá meter? Não se deve meter o bedelho onde não se é chamado.
   Kathryn Bigelow ganhou o óscar de melhor realizadora e ainda bem. Para mim, o filme Um Homem Sério, dos irmãos Cohen, seria o vencedor. Nunca o Avatar! Mas não deve ter sido fácil filmar «Estado de Guerra».

   

sábado, 13 de março de 2010

Giríssimo, giríssimo!! O filme «Alice no País das Maravilhas», de Tim Burton


  Em primeiro lugar, «Alice no País das Maravilhas», de Tim Burton, tem que ser visto num lugar a meio da sala porque as legendas são em letra bastante pequena e em amarelo. Eu vi-me obrigada a ver o filme pela segunda vez, dado que cometi o erro de comprar bilhete longe do écran a primeira vez que me decidi a ver o filme.
  Mas valeu a pena comprar segundo bilhete, mesmo ao preço exagerado a que estão os bilhetes (pelo menos os óculos deveriam servir para várias sessões)!
  «As melhores pessoas são todas loucas», a frase que o pai de Alice usa no início do filme para a acalmar dos pesadelos e que Alice repete no país das maravilhas numa atitude de ternura para com o Chapeleiro, é uma frase que viabiliza toda a fantasia do filme, todo o non sense que ao longo do filme se carrega de sentido. Os expectadores deixam a sala cinema, depois de viverem quase duas horas num mundo inverosímil, convencidos que, se enfrentarem as situações mais difíceis da vida, ultrapassando o medo através  da crença no poder das palavras e dos pensamentos, poderão vencer, transformar o mundo e viver mais felizes.
   Esta Alice,  a Alice da conhecida história de Lewis Carroll, treze anos depois, quando involuntariamente ia ser pedida em casamento por um indigesto lorde inglês, uma Alice que não gostava de usar meias e achava o espartilho parecido com um bacalhau, vai descobrir no mundo das maravilhas, o seu valor, a realidade das pessoas e a importância de aceitar essa realidade.
  «Alice no País das Maravilhas» é um filme sobre a afirmação da mulher num mundo, economicamente, governado por homens. É um filme do século XXI.
  O «dia da Dita» transforma-se reamente num «bendito dia». «Abaixo a maldita corta-cabeças», abaixo todos os malditos corta-cabeças! Viva o poder da espada Vorpal (como o poder da espada do Rei Artur)!  «Sabes porque é que um corvo se parece com uma secretária?» - ninguém sabe e ainda menos aquele que, com o objectivo de intimidar os mais fracos, coloca a pergunta.  

segunda-feira, 8 de março de 2010

As pessoas desesperadas do «Norte», filme de Rune Denstad Langlo





  Mais um filme norueguês que trata o tema da solidão e do desespero humano que lhe está associado. O «Norte», de Rune Denstad Langlo, retrata uma noruega invernosa, coberta de neve e assolada frequentemente por  tempestades de ventos e neve que facilitam o isolamento das pessoas e dificultam as ligações rodoviárias entre as povoações.
  Jomar, um atleta de esqui que, no seguimento de uma depressão, se divorcia e passa a trabalhar como guarda numa pista de esqui, decide, no auge do desespero e da ansiedade, incendiar a sua casa e partir numa moto de neve rumo ao norte para conhecer o seu filho de quatro anos. E é nesta viagem pelo interior da Noruega, no meio de montanhas geladas e de abetos, que contacta com pessoas, tão vítimas de solidão como ele, que o tratam com amizade e o reconhecem como ser humano.
  Trata-se de adolescentes, a quem os pais abandonaram e deixaram com a avó ou que deixaram mesmo sozinhos a tratar da casa por estarem cancerosos e quererem fazer uma última viagem  pelo mundo, que necessitam de um amigo, alguém que esteja com eles, a quem possam ajudar, com quem possam partilhar alguns momentos de confraternização. Ou de um velho que abandona a casa da família para morrer sozinho numa tenda no meio da neve.
  O álcool  e os comprimidos para a ansiedade são os companheiros permanentes de Jomar. Mas, com as amizades, ainda que fugazes, que vai travando, essa ansiedade vai diminuindo e o álcool e os comprimidos também.
  Jomar chega ao norte, decide-se a chegar ao norte, e isso pode simbolizar a esperança de uma nova vida, de uma nova atitude perante a vida.
   
   Estes filmes da Europa de Norte não são espectaculares como os filmes de Hollywood, nem são seleccionados para os óscares, mas contém uma visão da vida muito mais próxima das pessoas. E têm paisagens magníficas e um humor muito particular.

sábado, 6 de março de 2010

Os dois últimos filmes da destruição da ilha da Fuzeta

 Mais um capítulo da história da destruição da ilha da Fuzeta.




  As fotografias que se seguem (do restaurante Caetano) foram tiradas no sábado do último Carnaval, um dia antes dos grandes temporais de Fevereiro.




domingo, 28 de fevereiro de 2010

O que quer Deus (Hashem) de «Um homem sério»? O filme de Ethan e Joel Coen

(publico.pt)

  O filme «Um Homem Sério», de Ethan e Joel Coen (os irmãos Coen) é um filme de um humor excepcional sobre a vida de uma família de judeus, inseridos numa comunidade judaica. E sobre um professor de Matemática (Judeu) de uma universidade americana, Lawrence Gopnik, que ensina o Princípio da Incerteza de Heisenberg (o gato ou está morto ou não está morto) e a quem um aluno coreano quer subornar para obter uma nota alta num exame e continuar a receber a sua bolsa de estudo.
  Logo no prelúdio do filme, uma grande máxima aparece no écran: Recebe com felicidade tudo o que pode acontecer. E esta máxima vai ser o grande motor do filme.
  Na primeira parte do filme, toda a espécie de contrariedades acontecem a Larry Gopnik, desde a mulher que, inesperadamente, lhe exige um divórcio ritual (gett) para poder casar com um vizinho e amigo da família até à situação absurda de ter que pagar o funeral deste mesmo amigo-traidor, quando, por ironia, ele falece num acidente de automóvel.
  De rabino em rabino, Larry Gopnik quer saber por que razão é que Deus o castiga com tanta infelicidade, mas os rabinos são evasivos ou respondem-lhe com a pergunta de retórica: o que quererá Deus de ti? Mas mesmo no maior desespero, o professor de Matemática mantém-se um homem sério e não aceita o suborno.
   De repente, tudo se inverte e, quer famíliar quer profissionalmente, todas as situações começam a ser-lhe favoráveis. (O gato não está morto.) É, no entanto, breve a felicidade...
  Fica a pergunta: «Quando a verdade se revela uma mentira e toda a esperança morre dentro de ti, o que fazes?» O mais sábio, parece ser a lição do filme, é receber com alegria tudo o que acontecer, mesmo o mais absurdo. 
    


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Jardim já não quer «brincar à porrada com a Natureza»

(Correio da Manhã)


  O Dr. João Jardim disse, há alguns dias atrás, a propósito da reconstrução de uma estrada na Ilha da Madeira que ficara totalmente destruída com a tempestade catastrófica que assolou a ilha no dia 20 deste mês, que já estava farto de brincar à porrada com a Natureza.
  Começo a pensar numa possível reconciliação com Jardim. Uma afirmação destas significa reconhecer as culpas e ter vontade de mudar a sua atitude perante a facilidade e o imediatismo da construção, perante os interesses económicos de alguns, o primado do turismo, etc. Significa ter vontade de mandar fazer estudos ambientais, de planificar, de programar uma reconstrução racional.
  Não tenho ouvido os representantes do Governo da República falar deste modo após os desastres ambientais que se têm sucedido, com alguma frequência, no continente.
  Jardim quer que a ilha da Madeira seja um jardim, que atraia turistas, que não afaste os habituais cruzeiros que fazem escala no Funchal. Parece-me um nobre desejo, que só vem salientar o seu empenhamento no bem-estar económico dos madeirenses. Se a não declaração de calamidade não afectar a reconstrução de todas as casas, nem a indemnização de todos os que foram realmente prejudicados, ricos e pobres, para quê acentuar a tragédia e afugentar turistas?
  E se o Dr. João Jardim é capaz de mudar os seus ódios políticos, às vezes bastante primários, quando reconhece atitudes de generosidade, então, teremos que prestar atenção a este cidadão português que é muito menos maluco do que sempre pareceu.