domingo, 11 de julho de 2010

Os espanhóis subornaram o polvo


  Quem é que consegue voltar a comer polvo à lagareiro, arroz de polvo, filetes de polvo, etc., etc., depois do papel desempenhado pelo polvo Paul neste mundial de futebol? Eu vou sentir-me uma traidora.
  Ficou demonstrado que os poderes sobrenaturais dos animais são uma realidade e que os polvos e as lulas, serão, no futuro, habitantes deste planeta com muito maiores capacidades que nós, os humanos, como alguns cientistas prevêem.
 A Espanha saiu beneficiada neste mundial com a adivinhação deste polvo. Quer se queira, quer não, estas coisas acabam por influenciar o comportamento.
  
     Ainda bem que ganhou a Espanha! No fim de contas, verifico que sou iberista e que se tiver que tomar partido, depois de Portugal, escolho os vizinhos.





sábado, 10 de julho de 2010

Muito convidativa a nova ilha da Fuseta



  Ainda não fui veranear à Ilha da Fuseta depois das obras. E ontem, como se vê no filme, foi hasteada a bandeira azul e o aspecto da praia parece espectacular.
  Começa uma nova época da vida desta ilha, o regresso à natureza primitiva, paisagem interrompida durante quase quarenta anos.
  Deve-se aprender a lição - a Natureza é magnífica, mas as pessoas têm que cumprir regras e embora gostem muito de estar em alguns lugares, não têm obrigatoriamente de assentar arraiais.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Entrementes, Mozart continuou no Festival ao Largo



   Quem tiver rabo para estar duas horas antes do espectáculo  assistirá, de facto, a óptimos espectáculos no Largo do São Carlos.
  Este  concerto teve início às 22 horas de terça-feira, dia 6 de Julho. Foi a Noite de Mozart com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a soprano Ana Quintans e o barítono Luís Rodrigues. Ouviram-se excertos das óperas As Bodas de Fígaro, Cosí fan tutte, Don Giovanni e A Flauta Mágica.
  A música que se ouve neste largo tem um encanto adicional - o som das gaivotas de Lisboa, espantadas  com os concertos ou interessadas neles, e o som dos carro eléctricos que passam todos catitas na rua do Café do Chiado. Tivemos, assim, Mozart com cobertura da música concreta lisboeta, como os gelados da Haagen Dazs.
  E depois, pode sempre subir-se a uma esplanada de um Hotel da zona e encher os espíritos de Tejo e da sua esplêndida paisagem nocturna, ou beber um copo num bar do Bairro Alto e sentir algumas misérias dos humanos que por lá circulam.




terça-feira, 6 de julho de 2010

Caiu a máscara aos antipatriotas deste país


  Os Belmiros, Ricardos Salgados, accionistas da PT e banqueiros deste país, mostraram, nos últimos tempos, que o que lhes interessa de facto é encher os seus próprios bolsos e não o progresso e a independência de Portugal.
  É óbvio para qualquer leigo que se os espanhóis da Telefónica querem comprar a Vivo  do Brasil é porque sabem que disso virão a tirar lucros colossais e que passarão a perna à PT, a maior empresa portuguesa com projecção internacional. A PT é dos accionistas ricos, isso toda a gente sabe, mas estes senhores deveriam ter a dignidade de perceber qual deveria ser o seu papel no país neste momento e, se já beneficiaram de todos os dividendos que o sistema capitalista lhes proporcionou, porque, possivelmente, eles e os seus ancestrais foram muito espertinhos e tiveram muita sorte, agora deveriam mostrar uma visão mais alargada e mais projectada no futuro.  Pedir-lhes  que sejam patriotas é uma ingenuidade, mas não são eles que muitas vezes vêm com discursos de benfeitores  e de garantia da riqueza nacional?
   Caiu-lhes a máscara - é só nisso que penso quando ouço as suas conferências de imprensa e desculpas de estrategas bancários. 
  José Socrates fez muito bem em usar a Golden Share e faz ainda melhor em estar a lutar palas posições que assumiu. E o PCP e o BE deveriam ter sido mais rápidos em mostrar a sua posição e as suas vozes deveriam ser mais sonoras. O PSD mostrou a sua verdadeira face - a defesa do capital, mesmo quando está em causa a soberania económica do país. Até o CDS percebeu!
  Já fiz, neste blogue, críticas a este governo e a vários dos seus membros, incluindo o promeiro ministro. Neste momento, acho que José Sócrates está a mostrar que defende Portugal e os interesses do país e louvo a sua determinação.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Homenagem a Pina Bausch e Festival ao Largo


  Pina Bausch foi homenageada no Teatro São Luís no dia 30 de Junho, um ano depois do seu falecimento. Foi no Teatro São Luís que Pina Bausch dançou pela última vez em palco, em 2008, na peça Café Muller. Agora, João Salaviza  realizou a curta-metragem Hotel Muller e foi este filme que foi apresentado e estreado na homenagem à bailarina e coreógrafa.
  O filme de Salaviza  realça os sons do quotidiano num pequeno e provinciano hotel - as máquinas de lavar roupa, a limpeza do chão, os lixos, a movimentação dos hóspedes, as motorizadas em que se deslocam os clientes, etc., etc. E são estes sons que se transformam numa partitura musical e lembram os bailados de Pina Bausch.
  No debate que teve lugar no Jardim de Inverno, achei sobretudo interessante a análise que a bailarina Luísa Taveira fez do chão nas peças de Pina Bausch - o chão do palco de dança, que procurava imitar a realidade, ser o chão real que as pessoas pisam e a que as sapatilhas dos bailarinos tinham que aderir.

 E à saída do São Luís, terminava uma noite de ópera no Largo do São Carlos com a extraordinária Orquestra do Algarve.


  Não percam os espectáculos do Festival Ao Largo que irá decorrer até dia 26 de Julho frente ao Teatro São Carlos!!


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma maratona ciclópica na Casa Fernando Pessoa



  Tratou-se, de facto, de uma maratona ciclópica a que teve lugar na sexta-feira passada (dia 25 de Junho) na Casa Fernando Pessoa. Durante 15 horas, leu-se, integralmente, a obra  O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago.
  A leitura começou por volta do meio-dia, após a chegada de Pilar del Rio, apenas com uma curta interrupção de António Costa para anunciar o lugar onde irão ser colocadas as cinzas de José Saramago (no jardim defronte da Casa dos Bicos, em Lisboa) e o epitáfio que irá ficar escrito na pedra de Pêro Pinheiro que cobrirá as cinzas (« Não subiu para as estrelas, se à terra pertencia » - as últimas palavras de O Memorial do Convento).



 Como um fio que não cessa de enrolar enquanto o novelo não termina, a leitura desenrolou-se sem parar, feita por escritores  e por todos aqueles que se inscreveram para participar e ler. Por vezes com a sala cheia, outras vezes com público mais reduzido, a cadeia de leitura processou-se, ignorando horas de refeições, transmissão de jogos de futebol (Portugal/Brasil decorreu durante a tarde) e muitos cansaços ( Inês Pedrosa e Pilar del Rio não deviam estar pouco cansadas).
  Foi uma homenagem a José Saramago de uma generosidade espantosa!
  Desde «Aqui o mar acaba e a terra principia.» até «Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera.», leram-se 415 páginas, de seguida, num bom ritmo, de forma mais ou menos expressiva, mas sempre sem perder o fôlego.



    Sem conversas, só leitura! Parabéns à extraordinária organização da Casa Fernando Pessoa!

A morte de Saramago em alguns títulos de jornais

Saramago não queria ficar no Panteão

Vestido vermelho com versos de Saramago na despedida

Não há palavras, Saramago levou-as

O homem que veio do povo e lhe foi fiel

Três paixões e as outras mulheres de um escritor

Da infância pobre ao mestre inesquecível

Um escritor do mundo

E assim vai Saramago para o céu

Espanhóis foram mais atentos ao funeral

O povo despediu-se do seu escritor


segunda-feira, 21 de junho de 2010

José Saramago - a morte sem intermitências


É assim a vida, vai dando com uma mão até que chega o dia em que tira tudo com a outra.



As mortes de cada um são mortes por assim dizer de vida limitada, subalternas, morrem com aquele a quem mataram, mas acima delas haverá outra morte, aquela que se ocupa do conjunto dos seres humanos desde o alvorecer da espécie.



Somos testemunhas fidedignas de que a morte é um esqueleto embrulhado num lençol, mora numa sala fria em companhia de uma velha e ferrugenta gadanha que não responde a perguntas, rodeada de paredes caiadas ao longo das quais se arrumam, entre teias de aranha, umas quantas dúzias de ficheiros com grandes gavetões recheados de verbetes.



A morte apareceu à luz do dia numa rua estreita, com muros de um lado e do outro, já quase fora da cidade.

A morte nunca dorme.

(Citações do livro As Intermitências da Morte , de José Saramago)



Ontem, pelas 12h 30m, saiu a urna de José Saramago dos Paços do Concelho em Lisboa para o cemitério do Alto de S. João. As pessoas, na praça, gritavam - Obrigado, José Saramago! Eu estava entre elas.

sábado, 22 de maio de 2010

Na «semana dos milagres», a galinha não deu ovos de ouro


    Na semana de 13 de Maio, alguns milagres foram anunciados - a ausência de chuva na tarde de terça-feira (11 de Maio) em Lisboa e o afastamento da nuvem de cinzas vulcânicas do espaço aéreo português - e, por graça de sua santidade, os milagres concretizaram-se.
   O primeiro ministro de Portugal chegou a anunciar, na noite desse mesmo dia, que o aumento das exportações, no primeiro trimestre deste ano, tinha sido o maior desde há não sei quantos anos (nem quero saber) e que o crescimento económico do país era também qualquer coisa espantosa. Milagre! O Papa fizera mais este milagre!
  Mas no dia 13 é que foi... Enquanto, em Fátima, os fiéis, os videntes e outros peregrinos se deliciavam com Papas doces, Papas móveis, Papas ópios, etc. , em Lisboa, as galinhas poedeiras,  em Concílio Financeiro, depois de dançarem o tango e outros preliminares, puseram-se no choco e os ovos começaram a sair.
  Ovos de austeridade económica (afinal o país estava à beira da ruptura): aumento do Iva, aumento do Irs, agravamento das taxas de Irc, nova taxa sobre crédito ao consumo, corte nas transferências para as empresas públicas e autarquias, diminuição de 5% dos salários de políticos e gestores, etc., etc. Que mal que cheiravam os ovos! Afinal os ovos não eram de ouro e ainda por cima estavam podres!
  E como se tal não bastasse, os ovos eram lançados e partiam-se todos. As galinhas estavam sempre a pôr outros ovos: o aumento de Irs era de 1% para salários até 2350 euros e de 1,5% acima deste valor. Não, afinal não era. Era de 1% para salários até  1350. Não,  até 1250 euros. Era para ser aplicado a partir de Julho. Não, era para ter efeitos retroctivos a partir de Janeiro. Não, era para ser a partir de Junho e apanhar já o subsídio de férias. Afinal talvez fosse a partir de ontem (dia 23 de Maio e dia da moção de censura ao governo)! Mas não! O primeiro ministro diz que em Junho é que é!
  Que galinhas mais trapalhonas! Nem sequer conseguiram pôr ovos de ouro! Pelo menos desta vez! Quem sabe para a próxima!


 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Elia Suleiman e o filme autobiográfico «O tempo que resta»

(publico.pt)

  O Tempo que Resta, de Elia Suleiman, é um filme de homenagem à paciência irremediável dos palestinianos. Neste filme, são os habitantes de Nazaré que estão em foco. E a vida da família do próprio realizador do filme, Elia Suleiman.
 Os israelitas invadem a cidade de Nazaré, prendem, matam, torturam os seus habitantes. O pai de Elia é inicialmente um resistente, quer ajudar os seus conterrâneos, os feridos, os furagidos, mas a sua sorte acaba por não ser melhor que a dos outros. É preso, torturado. E a sua energia e revolta transformam-se em desânimo, inacção, aceitação da impossibilidade de mudança, de libertação.
  A família Suleiman está viva, vegeta, o filho Elia vai crescendo, a mulher cozinha, o senhor Suleiman pesca, mas sufoca-nos a indiferença e a apatia com que estas personagens enfrentam a situação que os subjuga. Os adultos envelhecem e a História não muda.
 Uma cena, várias vezes repetida, impressiona verdadeiramente. Suleiman pai e os seus amigos e, muitos anos depois, Suleiman filho e os seus amigos estão na esplanada de um café de bairro. Um jovem habitante da cidade desce, solitário, a rua. Algum tempo depois sobe, solitário, a rua. Cumprimenta. Por vezes, pede lume. E assim, sem objectivo, as vidas se prolongam. Donde vem o jovem nazareno? Para onde vai? Não interessa. Nada interessa.
  Aquela vida não interessa. E as pessoas envelhecem...
 
   Gostei de ver este filme. Fiquei com uma solidariedade maior em relação aos palestinianos, uma compreensão mais por dentro das suas vidas.
   Poderemos praticar o salto à vara para passar todos os muros da vergonha? E a repressão e os muros irão continuar para sempre?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

No jardim do Museu da Cidade - Bordallo Pinheiro e Joana Vasconcelos


  Joana Vasconcelos criou uma instalação encantatória de peças de Bordallo Pinheiro - peixes, lagostas, rãs, lagartos,
cavalos-marinhos, macacos, cobras, cogumelos, etc.
  Num jardim de Buxo, cheio de pequenos lagos, estes animais nadam, trepam pelas fontes, balançam nas árvores, sobem pelas paredes, espreitam no meio do buxo, espantam-nos e encantam-nos.
  Parabéns à  Catarina Portas pela ideia e à Fábrica Bordallo Pinheiro pela produção das peças! E à Joana Vasconcelos pela cor, animação e organização artística deste jardim!
 
    E encantem-se também com os pavões - nunca tinha visto espécimes tão magníficos - que vivem e se passeiam soberbamente neste jardim. ( Os pavões não são de cerâmica!)











Aqui está um dos pavões:

 

  (Fotografias de João Pinho)



 

sábado, 24 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Joana Vasconcelos - uma arte respigadora

 
  A exposição da artista plástica Joana Vasconcelos, no Museu Berardo - CCB em Lisboa -, com entrada gratuita, é uma arte feita de objectos utilitários, presentes e passados, restos de tecidos, coisas recolhidas de sótãos, de desperdícios, de restos de colecções, talvez de sucatas.
   Cada instalação deve ser demoradamente observada e o visitante poderá deliciar-se com a sua simbologia. Do sofá de aspirinas e da cama de valiuns à burca e à carrinha com senhoras de Fátima, muitos sorrisos se vêem nos rostos de quem olha. 
 Os visitantes podem interagir com algumas das instalações e assim mais se aproximam desta arte que tem, de facto, que ver connosco.
  As fotografias que coloco neste post foram tiradas por um amigo meu numa das visitas que fiz a esta exposição.

 


   









(Fotografias de João Pinho)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Entre fumos vulcânicos, tornados e comissões de inquérito

(dn.pt)


  O planeta mexe-se, vai-se transformando, a crosta terrestre ajusta as suas fendas, os vulcões entram em erupção, criam novas terras, perturbam os voos dos aviões  (a evolução do planeta não pede licença à civilização humana obviamente), ocasionam incómodos aos humanos, enfim, os media vão tendo trabalho garantido. 
 O aquecimento global vai trazendo sempre novidades. Os tornados e as trombas de água começam a ameaçar com alguma frequência este país, outrora um paraíso climático. Quem vamos culpar? Nós próprios? O processo natural de aquecimento do planeta à medida que nos afastamos do período de glaciação de há dez mil anos?
  No parlamento deste país, as comissões de inquérito são imparáveis, organizando, pouco a pouco, o puzzle gigantesco da corrupção (puzzle de quantos  milhares de peças?), criando nervosismo nos inquiridos ( o ex-ministro Mário Lino já tratava um deputado por Sr. Computador) e a náusea nos espectadores televisivos que não suportam mais a choldra mal cheirosa em que se converteu o espectáculo.
  Entretanto, o trabalho dos deputados relativamente ao orçamento de estado parece ter parado... A governação parece caminhar em ponto morto... De leis, é só conversa!
   Felizmente, o planeta «pula e avança»!