segunda-feira, 4 de outubro de 2010

100 anos de República - é para comemorar!

  

   Amanhã  comemora-se os 100 anos da proclamação da República em Portugal. António Ventura publicou um livro de postais da época alusivos à Primeira República. Estas fotografias são de alguns desses postais.

  

   Este enterro da realeza aliviou-nos de muita desigualdade e de muito preconceito.


 
  No primeiro postal, França Borges e Afonso Costa vendem o elixir republicano, publicitando simultaneamente o jornal O Mundo, cujo director era França Borges. No postal ao lado, estão os deputados republicanos eleitos em 1910: Afonso Costa, Bernardino Machado, António José d'Almeida, João de Meneses, Teófilo Braga, Alexandre Braga, Cândido dos Reis, A. Luís Gomes, Miguel Bombarda, Brito Camacho, Feio Terenas, Fernandes Costa, Aurélio Ferreira e Alfredo Magalhães.


    O primeiro postal é uma homenagem à Marinha de Guerra, que apoiou os republicanos, e o segundo homenageia os países que reconheceram a República Portuguesa: Brasil, Estados Unidos, Argentina e Suíça.

   

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O DESASSOSSEGO da noite de 29 de Setembro

(publico.pt)


  Entre a estreia do Filme do Desassossego, de João Botelho, e o desassossego da conferência de imprensa do primeiro ministro e do ministro das finanças, passámos a noite de ontem.
  O Filme do Desassossego é um filme muito belo: as imagens de Lisboa (a Baixa, o Terreiro do Paço e o Cais das Colunas), a interpretação do actor Cláudio Silva e dos outros actores, a voz de Carminho, o texto de Pessoa, tudo no filme me agradou. No entanto, o texto  do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), é um texto paradoxal. O narrador observa a vida de um lado contrário àquele  em que, normalmente, as pessoas se colocam e, portanto, o desassossego, a inquietação, o espanto, apodera-se do leitor. O espectador do filme sente também esse desassossego, essa estranheza.
  Por coincidência, também as notícias do governo causaram nos ouvintes grande inquietação e desassossego. Afinal, o governo seguiu as orientações dos agoirentos economistas  do PSD (Mira Amaral, João Salgueiro, Nogueira Leite, etc.) e anunciou cortes nos salários da Função Pública, aumentos nos descontos para a CGA, no IVA, etc. Ninguém falou na redução de despesas com chefias de empresas públicas, nos prémios, nos automóveis de luxo que lhes são atribuídos, etc., etc.  É a Função Pública que gera o ódio dos economistas e há que aplacar esses ódios.  A especulação capitalista está demasiado atenta às opiniões desses economistas de direita e o governo tem medo disso.
  E assim a noite de 29 de Setembro ficará lembrada como noite de grande desassossego, sobretudo por todos os paradoxos que estão à espreita.

 
 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

As vozes proféticas da desgraça

     Nos meses de Verão, estivemos todos a banhos, nós e eles, «naquele engano de alma ledo e cego» que os interesses políticos não deixam durar muito. Não se falou em juros da dívida pública nem em orçamento de 2011, apenas os macabros incidentes da herança de Tomé Feteira agitaram as agências noticiosas.
  Após o 9 de Setembro, tudo começou! Os profetas da desgraça começaram sucessivamente a subir às montanhas, anunciando as grandes catástrofes que iriam abater-se sobre este país - as subidas de impostos, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos e no subsídio de Natal, o monstro do FMI escurecendo os ares sobre as nossas cabeças, os segredos da economia portuguesa guardados a sete chaves pelo governo, ...
  Os economistas mediáticos -  João Duque, Medina Carreira, Helena Garrido, Ernâni Lopes, etc., etc. -  perfilaram-se diariamente nos vários canais de televisão, criando o ambiente necessário ao descrédito  da capacidade dos governantes, abrindo caminho para a confusão política, para a subida dos juros da tal dívida pública, para a machada fatal nos salários da função pública,  sempre tão odiada por estes famigerados economistas que não são funcionários públicos obviamente.
  E qual é o deus que estes profetas querem anunciar como salvador da nação?
  Parece claro para toda a gente que se trata de Pedro Passos Coelho e do seu partido.
  Que desgraça anunciada por aí vem!!

domingo, 19 de setembro de 2010

«Jantar de idiotas» de Jay Roach ou «O jantar de palermas» de Francis Veber - qual o filme mais divertido?

(publico.pt)

   Se O jantar de palermas, de Francis Veber, era uma comédia sofisticada e intelectual, à maneira francesa, uma peça de teatro filmada num espaço reduzido e que termina sem que o anunciado jantar se realize, Jantar de idiotas, de Jay Roach,  é uma americanada divertida, que ultrapassa os condicionalismos do teatro e nos oferece o jantar propriamente dito e as peripécias desse jantar.
  O «esqueleto» da história é idêntico nos dois filmes - um grupo de pessoas reunem-se periodicamente num jantar, tendo cada um, por obrigatoriedade, de levar um palerma (ou um idiota) com dotes de estupidez suficientes para espantar os demais convidados.
  Ambos os filmes põem em causa o conceito de «idiota», socialmente construído para desvalorizar e ridicularizar aqueles  que se ajustam menos bem à norma social. E demonstram que a norma tem pés de vidro e que o jogo social é apenas um jogo de vaidades, de aparências.
  Eu diverti-me mais a ver o filme americano. Lamento o declínio do meu pendor intelectual.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Marina Cedro esteve hoje na Casa Fernando Pessoa




  Marina Cedro esteve hoje com Casimiro de Brito, na Casa Fernando Pessoa, para a apresentação do livro  de ambos - Amo Agora - (poesia erótica) da Editora 4Águas de Faro.
  Muito interessante esta apresentação /recital com a argentina Marina Cedro ao piano, quer dizendo os seus poemas quer interpretando melodias diversas, tangos incluídos.
 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Manuel Alegre - o rosto do progresso e da mudança

 
  Apoiantes convictos e entusiasmados receberam Manuel Alegre no CCB no dia 11 de Setembro. Este simpático comício foi considerado pelos media a sua rentrée política.
  Após as intervenções dos mandatários, Manuel Alegre fez um discurso claro e incisivo sobre as suas propostas de actuação como Presidente da República: uma visão cultural e política, aberta e progressista, um posicionamento de clareza e firmeza pela defesa da saúde pública, da escola pública e da segurança social pública.



  É urgente concentrar esforços em volta da candidatura de Manuel Alegre. É urgente dar vida e honestidade a este país. É urgente repudiar os sonsos, os ambíguos, os tremelicantes das palavras e das intenções!

  

domingo, 5 de setembro de 2010

«Cartas para Julieta», de Gary Winick - uma homenagem a Vanessa Redgrave e... ao amor


(publico.pt)

  Verona e a janela da suposta casa de Julieta apresentam-se, neste filme, como símbolos do amor, lugares de um culto - a religião do amor.  As paredes da casa da Julieta de Shakespeare enchem-se diariamente de centenas de cartas e de bilhetes de turistas que, em desesperos de amor, pedem a Julieta (a Santa Julieta) que faça eco dos seus problemas e lhes dê solução.
  Uma jornalista americana, em lua-de-mel por Verona, descobre, entre essas cartas, uma carta escrita cinquenta anos antes por uma turista inglesa que se apaixonara, durante a sua permanência em Itália, por um jovem, Lorenzo Belini. Tal como fazem as «secretárias de Julieta», umas senhoras que dedicam o seu tempo a responder às cartas das turistas, Sophie, a jornalista, decide responder a esta carta.
  Surpresa - na volta do correio, chega a Verona a velha senhora, Vanessa Redgrave, e a corrida para encontrar Lorenzo ( de entre as centenas de Lorenzos Belinis existentes na região) vai percorrer todo o filme.
  Cartas para Julieta é um hino ao poder do destino e ao amor. Shakespeariano enquanto tal!
  Veja-se o filme e saber-se-á se é trágico ou não. E se no filme reina o romance, quem pode negar que a vida seja um romance?


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Que «terror das trêvas» foi esta conferência de imprensa dada por um condenado no processo Casa Pia?

  Como é possível, neste país, que um condenado a sete anos de prisão no processo Casa Pia, dê, a seguir ao julgamento em que foi condenado, uma conferência de imprensa  transmitida em directo, durante uma hora, na RTPN, na Sic, na Sic Notícias, na TVI e na TVI24? Isto é uma República das Bananas? Há por aqui cartéis da droga que comandam esta coisa toda? 
  Que os condenados e os seus advogados façam os recursos que desejarem é lá com eles e com a justiça! Agora que venham fazer propaganda dos seus próprios interesses e denegrir a justiça nacional, fazendo uso dos dinheiros dos contribuintes deste país, é demais!!
 Quem pensa o senhor Carlos Cruz e os seus amigos advogados que são? Foi realmente «o terror das trêvas» (trêvas ou trevas? - o advogado Sá Fernandes tem alguns problemas de pronúncia!) o que se passou naquela dita conferência de imprensa! Quem é que está interessado na família solidária do senhor Carlos Cruz ( a ex-mulher, o enteado lá no Brasil, as filhas e mais a mulher)? Que o condenado e os seus advogados são muito amigos já se percebeu e isso não abona nada em favor da verdade nem da justiça!
  A minha indignação não pode ser maior em relação ao tempo de antena dado a estes três senhores! Para mim, como para Catalina Pestana, o processo Casa Pia chegou ao fim, felizmente. Que vão estrebuchar na prisão os condenados e não continuem a gastar o dinheiro nem o tempo dos Portugueses!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Bandeira azul na Ilha da Fuseta? E o lixo que todos os dias por lá se encontra?



   O civismo das pessoas é muito reduzido, o mar todos os dias traz ainda objectos e destroços das casas que levou e a limpeza da praia (dentro e fora das concessões) ou não se faz ou faz-se muito pouco. As pessoas querem é gozar a praia (ou lucrar com ela) e o lixo que se lixe!











    Esta última fotografia mostra o que recolhi durante um breve passeio.

   Afinal, está alguém interessado em salvar o planeta? Ou isso são só teorias?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Livros de férias



  Poderá ser mais olhos que barriga, sobretudo para quem não lê depressa (divago muito enquanto leio) nem põe a leitura em primeiro lugar.
  Estes foram livros que fui adquirindo nos últimos meses e que só agora poderei ter mais tempo para ler. O livro de Mário de Carvalho, A arte de morrer longe, e o de Roberto Bolaño, Estrela Distante, estão a meio. Um bom homem é difícil de encontrar, de Flannery O'Connor, já está lido e Tudo o que sobe deve convergir, também de Flannery O´Connor, está a meio.
  Da Flannery O´Connor já posso falar. Não é por acaso que foi considerada a melhor escritora americana do século XX (New York Review of Books). É uma magnífica contadora de histórias. O leitor vai-se aproximando das personagens e das histórias irremediavelmente e, depois, encontrará sempre um final inesperado. Muitas vezes terrível como no sensacional conto «Um bom homem é difícil de encontrar». Gonçalo M. Tavares diz :«Apesar de ser muito duro e violento, é de uma violência que promove a lucidez.» E espanta e diverte também!
O tema dominante dos contos de Flannery O´Connor é a relação entre brancos e negros nos estados sulistas dos EUA. Mas não só. A América e os seus preconceitos e o ridículo da vida familiar da pequena e média burguesia surgem, nestes contos, sob um olhar incrível.
  
Talvez vá acrescentando este post à medida que as leituras se concretizem,
   
   

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

E agora, a Fuseta!


  Falar dos prazeres da Fuseta depois de ter estado no Capri a deliciar-me com gamba da costa, seguida de um gelado de maçã verde e baunilha servido pela D. Leonor na geladaria (!!) do Largo  e, ainda, depois das horas passadas a ver o pôr-do-sol no bar da Praia dos Tesos, ficará sempre aquém da realidade.





  Estou há mais de uma semana na Fuseta. Em Julho, foram banhos, apanha da conquilha, almoçaradas e jantaradas. Fica na história deste Verão o almoço em casa da Gabriela e do Fernando - o Fernando foi num pé ao Corvo (restaurante de peixe) buscar sardinhas e douradas, enquanto os convidados se sentavam à mesa, e voltou no outro pé com o peixe assado na grelha quente e pronto a ser devorado. Só na Fuseta!
  Esta semana, as coisas estão mais calmas. Há tempo para olhar a ria nos fins de tarde, seguir o movimento dos últimos barcos, ver as variações das cores da água (os azuis, os rosas), observar o trabalho das máquinas que estão a abrir a barra e as outras que acumulam areia extraída da ria para, a partir de Setembro, ser espalhada pelas zonas mais frágeis da ilha. Junto da ria o clima é fresco e agradável.



 

 O Largo da Fuseta, nesta quinzena, é insuportável - tem gente a mais, barulho a mais, calor a mais. Há horas em que, no Largo, quase se faz sauna. O clima no interior da vila sofreu alterações com a construção, após o 25 de Abril, de prédios de dimensões descomunais e de muitos andares na avenida maginal. A circulação do ar faz-se, na vila, com mais dificuldade que anteriormente. E, infelizmente, outros blocos monstruosos de apartamentos se estão construindo sobre a ria, ocultando a vista da vila a quem viaja de barco e a vista da ria a quem sempre morou naquela zona da Fuseta. E prejudicando seguramente o ecossistema da vila e da ria!   






   A ilha sem casas é espaço aberto e mais selvagem. A ilha voltou às suas origens. No entanto, muito ainda está por fazer - a limpeza da areia, por exemplo, foi um serviço que ficou inacabado. Todos os dias se encontra na areia cimento das casas destruídas, mosaicos, azulejos (partidos ou inteiros), vidros, bocados de tijolo ou mesmo tijolos inteiros, objectos os mais variados (luvas, sapatos, palmilhas, velas, bocados de estanho e até talheres ferrugentos já começaram a aparecer). Seria importante que todas as pessoas que vão à ilha recolhessem tudo o que pudessem e colocassem no lixo.




   As máquinas na praia, colocadas como tanques de guerra, lembram que a paz na ilha ainda está por completar e que este tempo é apenas um intervalo.  


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quem ainda não conhece OSGEMEOS, pintores de arte graffiti?


  A exposição «Pra quem mora lá, o céu é lá», de OSGEMEOS, vai estar no CCB até 19 de Setembro. Os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, conhecidos pelo nome OSGEMEOS, são artistas plásticos brasileiros que se têm dedicado à arte graffiti e as suas pinturas podem ver-se em muitas cidades do mundo. Em Lisboa, estão na Avenida Fontes Pereira de Melo, num prédio devoluto. Procurem que encontram!
  As fotografias deste post foram tiradas à exposição do CCB.  


Esta exposição encontra-se apenas em duas salas, recheadas de pinturas e de objectos(guitarras, radios antigos, casas,...), constituindo uma instalação que nos traz cenas da vida de bairros pobres do Brasil, cenas de amor, cenas da vida em família, cenas de divertimento, cenas de miséria,  instantes de quem mora lá. 


   Por vezes num estilo mais onírico, outras vezes mais naif (reparem nos pezinhos das crianças, metidos para dentro, e a forma como escondem as caras), OSGEMEOS conseguem mostrar-nos a timidez destas pessoas, a falta de saúde (o amarelo baço dos seus rostos), a falta de dinheiro (a magreza e os remendos nas roupas), mas também a humanidade que se mantém nos gestos de carinho e de afecto.


  As casas que se encontram no tecto, com os sapatos à porta, as galinhas, o bacio, mostram as intimidades do quotidiano e abrem as portas ao imaginário de quem as observa.
  Qual a dimensão da felicidade da gente que mora nestas casas?
  Mas o amor triunfa na imagem de cima!





  A exposição  vê-se em pouco tempo e fica-se com uma sensação da festa que a vida é, mesmo quando desfavorecida.


A «Rota dos Mouchões» acompanhada do bom vinho de Aveiras de Cima


  Partimos do Cais do Palácio da Rainha, próximo da Azambuja, no barco varino Vala Real, e durante três horas (entre as 10h e as 13h), navegámos Tejo acima, numa verdadeira paisagem de lazer, uma paisagem real, por entre os mouchões, uns recheados de garças brancas, outros de cavalos selvagens, outros de aldeias palafitas e silenciosos pescadores.
  Os Mouchões são ilhas que se encontram no meio do rio Tejo.Estas ilhas nascem com a acumulação  de sedimentos (areia, terra, poeira, lodos...)que são arrastados pelo vento e que vão aumentando com o tempo. O vento arrasta também sementes de várias ervas e arbustos que começam a desenvolver-se no Mouchão.Aqui podemos encontrar várias espécies de árvores como o salgueiro, o choupo, o eucalipto, ou o freixo. Nas margens do rio, aárvore mais utilizada é o salgueiro, porque  ajuda a prevenir a erosão das margens. («Rota dos Mouchões», Câmara Municipal da Azambuja, Pelouro do Turismo) 


   Estes homens, sábios do rio, guiaram-nos durante o trajecto, um manejando o leme e o outro explicando a paisagem e contando histórias do rio e das suas margens 



  Desembarcámos no cais de Valada do Ribatejo e daí partimos para Aveiras de Cima - Vila Musu do Vinho - em busca do prometido almoço típico numa adega.


   Almoçámos o tradicional «Bacalhau com torricado» ( o bacalhau coloca-se por cima deste pão torricado e come-se à  mão) acompanhado do vinho da adega da Caridosa. 



   Da parte da tarde, visitámos e provámos o vinho de três outras adegas, terminando com uma prova de vinhos conduzida por um experiente enólogo.

    Foi um passeio de fim de ano lectivo, para libertar stresses e iniciar o período de férias.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Shirin nos rostos de 114 mulheres


 Shirin de Abbas Kiarostami é um filme diferente, um filme que obriga o espectador a trabalhar a imaginação.
  A «história de Khosrow e Shirin» passa num écran de cinema e, do público que assiste ao filme, a câmara foca apenas mulheres, 114 mulheres iranianas(113 actrizes iranianas e a francesa Juliette Binoche), e são as reacções vividas nos rostos dessas mulheres que nós, os espectadores de Shirin, temos que seguir e interpretar.  Do filme que essas mulheres vêem, o filme Shirin dá-nos apenas os sons - a história narrada, os diálogos das personagens, a música, os sons inerentes à acção. Nós ouvimos a história de Shirin e Khosrow, a história de uma princesa persa cristã  que viveu uma vida de solidão, de amor e de morte.
  Os rostos das mulheres iranianas penetram na história de Shirin, sofrem com ela, amam com ela, choram com ela a morte de Khosrow e choram a morte de Shirin. Choram  as suas próprias solidões, os seus próprios amores, as suas mortes. São as vidas dessas mulheres ianianas que nós seguimos com compaixão.

  Shirin é um filme que exige a paciência do espectador. Mas leva-nos a pensar nessas mulheres, a pensar no que será, realmente, as suas vidas.