Reflexões & Actualidades - cinema, política, literatura, música, teatro, eventos, vivências,...
domingo, 28 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Os miúdos de «A Rede Social», de David Fincher
(publico.pt)
O mundo de Harvard (Outubro de 2003) em que vivem os miúdos do filme A Rede Social, de David Fincher, é um mundo em que, paralelamente à inteligência, à competência técnica, aos rasgos geniais dos estudantes, às relações afectivas próprias da juventude, grassam a competição, o oportunismo, a vingança, a traição, a ganância, inerentes à sociedade capitalista norte-americana e, no fundo, aos vícios da humanidade desde que os homens vivem em sociedade.
Mark Zuckerberg, um jovem inteligente de Harvard, sente-se humilhado porque a namorada, mais madura que ele, desfez o namoro, saturada do seu egotismo. A humilhação gera a raiva e a vontade de vingança e daí nasce a criação do site que irá dar origem ao Facebook.
Na génese deste site está a vingança, a traição, a deslealdade, a exibição pública do que deveria ser privado, o bullying. E também um comportamento excessivamente machista, o gozo de exibir as fotografias das jovens estudantes da Universidade e de espalhar as suas imagens.
E é assim que um site, em princípio com características pornográficas (porque exibe para gozo e possível «venda»), se vai transformar num sítio que espalha informações pessoais para relações sociais.
Extrapolando para além do filme e falando já do Facebook, como todas as coisas do mundo, sabe-se como começa, mas não se sabe como acaba. E, penso, o SHARE vai, de facto, transformar o mundo. As relações pessoais que por lá se desenvolvem, ou não, são um facto secundário. O que é deveras importante é que através do Facebook se espalham ou podem espalhar a uma velocidade alucinante informações que podem ser preciosas (política, direitos humanos, eventos, saberes, opiniões, etc., etc.).
Como já foi dito: SHARE OU NÃO, EIS A QUESTÃO!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Os epítetos do Dr. Jardim
No jornal Expresso, de 13 de Novembro de 2010, Miguel Sousa Tavares no seu artigo «O Portugal Habitual», lançou uma explosão de epítetos ao madeirense Dr. Jardim, mais parecendo uma antecipação de um fogo de artifício epitético a deslumbrar a passagem do ano.
Passo à compilação desses epítetos:
Sua Alteza Atlântica
Sua Alteza Insular
Sua Alteza Querida
Sua Exaltada Alteza
Sua Alteza Revoltada
Sua Educada Alteza
Sua Roubada Alteza
Sua Quase Africana Alteza
Sua Patriótica Alteza
Muito interessante o artigo!
Passo à compilação desses epítetos:
Sua Alteza Atlântica
Sua Alteza Insular
Sua Alteza Querida
Sua Exaltada Alteza
Sua Alteza Revoltada
Sua Educada Alteza
Sua Roubada Alteza
Sua Quase Africana Alteza
Sua Patriótica Alteza
Muito interessante o artigo!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Uma visita ao Oceanário - momentos calmos
Aconselho uma visita ao Oceanário, no Parque das Nações em Lisboa, para, entre outras coisas, esquecer os problemas da dívida pública. De preferência com crianças interessadas e inteligentes.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
«Confiança eterna?»
Não existe confiança eterna em coisa nenhuma, quanto mais a hipotética «confiança eterna» que o líder da bancada parlamentar socialista Francisco Assis deseja para a confiança dos mercados internacionais na economia portuguesa.
Com certeza que, quando Francisco Assis se referiu à «confiança externa», deverá ter sentido uma imensa vontade de fazer um jogo de palavras com «confiança eterna», mas «confiança eterna» na economia portuguesa só poderia ser uma paródia com a triste situação desta economia.
Este episódio de que falo foi a última frase do depoimento para os media do líder socialista, após a viabilização, na Assembleia da República, do orçamento de estado para 2011. Talvez fosse a emoção do momento, talvez a viabilização deste orçamento desse a este socialista a sensação momentânea de felicidade eterna...
Mas «confiança eterna», quando se fala dos especuladores fanáticos dos mercados internacionais? Jerónimo de Sousa tem dogmas bastante mais sensatos: «Os especuladores especulam! Aos vampiros apenas cabe sugar o sangue!»
E é no mundo dos especuladores-vampiros que este país e esta Europa se movem!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Sócrates na pele de um padre evangelista
Sócrates decidiu apelar à esperança no PS da mesma forma propagandística e falsamente convicta que usam habitualmente os padres evangelistas.
Na sua frente, os militantes de Braga pareceram-me estáticos e indiferentes como os carneiros de um rebanho que não têm alternativa senão tragar a erva do campo a que o pastor os conduziu.
Vi pela televisão e fiquei impressionada! Sócrates é, de facto, um actor espectacular e representa excelentemente aquele papel de padre evangélico. O problema é que o povo se sente à beira de um abismo e todo aquele ênfase de esperança e fé lembra já uma vida extraterrena e mais parece um rito de extrema-unção.
Não tenho tido vontade alguma de falar aqui do orçamento nem das peripécias rocambolescas que o têm envolvido. (Os dois grupos - PS e PSD -, liderados por Eduardo Catroga e Teixeira dos Santos, lembram realmente os tempos da guerra-fria com Brejniev e Kissinger a discutir as armas nucleares (comparação do comentarista Luís Delgado), ou, talvez melhor, dois grupos da máfia siciliana negociando a extorsão da «massa» aos pequenos comerciantes e ao povo.)
O desânimo é grande, a descrença maior ainda! Não há palavras de esperança que valham por mais enfáticas que Sócrates as grite!
Que tal fazer frente à Europa? À Merkel, ao Sarkozy? O ministro português dos negócios estrangeiros já começou e os franceses não estão a brincar...
O desânimo é grande, a descrença maior ainda! Não há palavras de esperança que valham por mais enfáticas que Sócrates as grite!
Que tal fazer frente à Europa? À Merkel, ao Sarkozy? O ministro português dos negócios estrangeiros já começou e os franceses não estão a brincar...
domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Antestreias da 11ª Festa do Cinema Francês - enquanto a crise ferve no caldeirão!
A 11ª Festa do Cinema Francês tem vindo a apresentar filmes (antestreias) de indiscutível qualidade. E se as distribuidoras portuguesas enchem as salas de cinema portuguesas de filmes americanos, pelo lucro seguro que lhes darão, vale a pena ir às festas de cinema onde se podem ver muito bons filmes a que posteriormente poderá ser difícil o acesso.
Sandrine Bonnaire é a madrinha da festa. Esteve presente no filme Joueuse, em que é a actriz principal, uma mulher a dias que se torna uma jogadora de xadrez, notável vencedora de torneios, ultrapassando as limitações da sua situação económica, social e familiar. Excelente filme e excelentes paisagens da Córsega. E esteve também no filme Elle s'appelle Sabine, filme que realizou, sobre a situação em que vive a sua irmã Sabine, uma jovem autista.
Outros filmes relevantes: Le Concert, de Radu Mihaileanu, uma comédia que penetra a sensibilidade dos mais empertigados, em que a Orquestra Bolshoi (formada por antigos músicos escorraçados da companhia por Brejnev por serem judeus ou por terem tomado posições em sua defesa, músicos que já não tocavam juntos havia trinta anos) vai a Paris, ao Théâtre du Chatelet, tocar Tchaikovsky e deslumbra os parisienses e a nós, obviamente.
Le Refuge, de François Ozon, uma bela história sobre situações de droga, de maternidade pouco desejada e de reencontro de alguma paz interior.
Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois, sobre a vivência de uma comunidade de oito monges franceses na Argélia, nos anos em que os fundamentalistas islâmicos cometiam as maiores atrocidades sobre aldeãos, estrangeiros, etc., e espalhavam o terror pelo país.
E muitos mais filmes há ainda para ver!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
«Há um cão vadio...» de Almada Negreiros
Ontem, na Praça do Município, em Lisboa, a Républica, personagem da encenação teatral do grupo O Bando, declamou uma montagem de textos de autores portugueses.
De Almada Negreiros, o texto seleccionado foi este:
Não achas, Mãe? Por exemplo. Há um cão vadio, sujo e com fome, cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar sujo e deixa de ter fome. Até as crianças já lhe fazem festas.
Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si - não saber cuidar de si é ser cão.
Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono de mim, para os que me vissem dissessem: Que bem que aquele soube cuidar de si!
Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: Olha uma árvore! quando há uma árvore. Assim, inteiro; sem adjectivos, só de uma peça: Um homem!
De A invenção do Dia Claro, 1921
terça-feira, 5 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
100 anos de República - é para comemorar!
Amanhã comemora-se os 100 anos da proclamação da República em Portugal. António Ventura publicou um livro de postais da época alusivos à Primeira República. Estas fotografias são de alguns desses postais.
Este enterro da realeza aliviou-nos de muita desigualdade e de muito preconceito.
No primeiro postal, França Borges e Afonso Costa vendem o elixir republicano, publicitando simultaneamente o jornal O Mundo, cujo director era França Borges. No postal ao lado, estão os deputados republicanos eleitos em 1910: Afonso Costa, Bernardino Machado, António José d'Almeida, João de Meneses, Teófilo Braga, Alexandre Braga, Cândido dos Reis, A. Luís Gomes, Miguel Bombarda, Brito Camacho, Feio Terenas, Fernandes Costa, Aurélio Ferreira e Alfredo Magalhães.
O primeiro postal é uma homenagem à Marinha de Guerra, que apoiou os republicanos, e o segundo homenageia os países que reconheceram a República Portuguesa: Brasil, Estados Unidos, Argentina e Suíça.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
O DESASSOSSEGO da noite de 29 de Setembro
(publico.pt)
Entre a estreia do Filme do Desassossego, de João Botelho, e o desassossego da conferência de imprensa do primeiro ministro e do ministro das finanças, passámos a noite de ontem.
O Filme do Desassossego é um filme muito belo: as imagens de Lisboa (a Baixa, o Terreiro do Paço e o Cais das Colunas), a interpretação do actor Cláudio Silva e dos outros actores, a voz de Carminho, o texto de Pessoa, tudo no filme me agradou. No entanto, o texto do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), é um texto paradoxal. O narrador observa a vida de um lado contrário àquele em que, normalmente, as pessoas se colocam e, portanto, o desassossego, a inquietação, o espanto, apodera-se do leitor. O espectador do filme sente também esse desassossego, essa estranheza.
Por coincidência, também as notícias do governo causaram nos ouvintes grande inquietação e desassossego. Afinal, o governo seguiu as orientações dos agoirentos economistas do PSD (Mira Amaral, João Salgueiro, Nogueira Leite, etc.) e anunciou cortes nos salários da Função Pública, aumentos nos descontos para a CGA, no IVA, etc. Ninguém falou na redução de despesas com chefias de empresas públicas, nos prémios, nos automóveis de luxo que lhes são atribuídos, etc., etc. É a Função Pública que gera o ódio dos economistas e há que aplacar esses ódios. A especulação capitalista está demasiado atenta às opiniões desses economistas de direita e o governo tem medo disso.
E assim a noite de 29 de Setembro ficará lembrada como noite de grande desassossego, sobretudo por todos os paradoxos que estão à espreita.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
As vozes proféticas da desgraça
Nos meses de Verão, estivemos todos a banhos, nós e eles, «naquele engano de alma ledo e cego» que os interesses políticos não deixam durar muito. Não se falou em juros da dívida pública nem em orçamento de 2011, apenas os macabros incidentes da herança de Tomé Feteira agitaram as agências noticiosas.
Após o 9 de Setembro, tudo começou! Os profetas da desgraça começaram sucessivamente a subir às montanhas, anunciando as grandes catástrofes que iriam abater-se sobre este país - as subidas de impostos, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos e no subsídio de Natal, o monstro do FMI escurecendo os ares sobre as nossas cabeças, os segredos da economia portuguesa guardados a sete chaves pelo governo, ...
Os economistas mediáticos - João Duque, Medina Carreira, Helena Garrido, Ernâni Lopes, etc., etc. - perfilaram-se diariamente nos vários canais de televisão, criando o ambiente necessário ao descrédito da capacidade dos governantes, abrindo caminho para a confusão política, para a subida dos juros da tal dívida pública, para a machada fatal nos salários da função pública, sempre tão odiada por estes famigerados economistas que não são funcionários públicos obviamente.
E qual é o deus que estes profetas querem anunciar como salvador da nação?
Parece claro para toda a gente que se trata de Pedro Passos Coelho e do seu partido.
Que desgraça anunciada por aí vem!!
Após o 9 de Setembro, tudo começou! Os profetas da desgraça começaram sucessivamente a subir às montanhas, anunciando as grandes catástrofes que iriam abater-se sobre este país - as subidas de impostos, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos e no subsídio de Natal, o monstro do FMI escurecendo os ares sobre as nossas cabeças, os segredos da economia portuguesa guardados a sete chaves pelo governo, ...
Os economistas mediáticos - João Duque, Medina Carreira, Helena Garrido, Ernâni Lopes, etc., etc. - perfilaram-se diariamente nos vários canais de televisão, criando o ambiente necessário ao descrédito da capacidade dos governantes, abrindo caminho para a confusão política, para a subida dos juros da tal dívida pública, para a machada fatal nos salários da função pública, sempre tão odiada por estes famigerados economistas que não são funcionários públicos obviamente.
E qual é o deus que estes profetas querem anunciar como salvador da nação?
Parece claro para toda a gente que se trata de Pedro Passos Coelho e do seu partido.
Que desgraça anunciada por aí vem!!
domingo, 19 de setembro de 2010
«Jantar de idiotas» de Jay Roach ou «O jantar de palermas» de Francis Veber - qual o filme mais divertido?
(publico.pt)
Se O jantar de palermas, de Francis Veber, era uma comédia sofisticada e intelectual, à maneira francesa, uma peça de teatro filmada num espaço reduzido e que termina sem que o anunciado jantar se realize, Jantar de idiotas, de Jay Roach, é uma americanada divertida, que ultrapassa os condicionalismos do teatro e nos oferece o jantar propriamente dito e as peripécias desse jantar.
O «esqueleto» da história é idêntico nos dois filmes - um grupo de pessoas reunem-se periodicamente num jantar, tendo cada um, por obrigatoriedade, de levar um palerma (ou um idiota) com dotes de estupidez suficientes para espantar os demais convidados.
Ambos os filmes põem em causa o conceito de «idiota», socialmente construído para desvalorizar e ridicularizar aqueles que se ajustam menos bem à norma social. E demonstram que a norma tem pés de vidro e que o jogo social é apenas um jogo de vaidades, de aparências.
Eu diverti-me mais a ver o filme americano. Lamento o declínio do meu pendor intelectual.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Marina Cedro esteve hoje na Casa Fernando Pessoa
Marina Cedro esteve hoje com Casimiro de Brito, na Casa Fernando Pessoa, para a apresentação do livro de ambos - Amo Agora - (poesia erótica) da Editora 4Águas de Faro.
Muito interessante esta apresentação /recital com a argentina Marina Cedro ao piano, quer dizendo os seus poemas quer interpretando melodias diversas, tangos incluídos.
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