Terrorismos, calamidades ambientais, devastação económica e financeira, estes foram os três grandes pilares de uma década de instabilidades, terrores, morticínios, misérias e frustrações.
O primeiro grande impacto foi o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 às Torres Gémeas em Nova Yorque. Morreram 2.996 pessoas das mais diversas nacionalidades, gente que trabalhava nessas Torres, muitos dos bombeiros que acorreram a prestar auxílio, os 19 sequestradores, os passageiros dos aviões, etc.
Bin Laden e a Al-Qaeda vestiram a pele dos monstros terroristas e os EUA apressaram-se a responder com invasões bélicas no Afeganistão e no Iraque. O mundo inteiro assistiu à guerra em directo pelos meios de comunicação social, testemunhou os bombardeamentos, a destruição, a carnificina.
No dia 11 de Março de 2004, novo ataque terrorista da Al-Qaeda, em Madrid, nas estações de metro de Atocha, El Pozo e Santa Engrácia. Mais de 190 pessoas mortas e muitos sinistrados.
(World Press Photo 2004)
A 26 de Dezembro de 2004, um Tsunami devastou as terras banhadas pelo Oceano Índico - Indonésia, Tailândia,Sri Lanka, Somália, Maldivas, Seychelles, etc. - com efeitos destruidores inimagináveis, um total de cerca de 175 mil mortos.
Em Janeiro de 2009, o exército israelita invadiu por terra a Faixa de Gaza arrasando e chacinando tudo o que se lhe deparava pela frente.Terão morrido 1.314 palestinianos.
(publico.pt)
No dia 14 de Janeiro de 2010, um forte terramoto assolou o Haiti, transformando este país num amontoado de escombros, mortos e desalojados. Estima-se que tenham morrido cerca de 200 mil pessoas.
A fraude e a corrupção económica e financeira mostraram, no final de 2008, a sua face maquiavélica. A especulação imibiliária, os offshores (paraísos fiscais), os investimentos tóxicos, os ganhos ilícitos, todos os Madoffs das sociedades capitalistas e que há muito enriqueciam, criaram o caos económico, levaram países à bancarrota, disseminaram o desemprego e a miséria.
Vivemos, na verdade, uma década vertiginosa e, por vezes, com características apocalípticas.
Lembrámo-nos, amiúde, das profecias de Nostradamus. E tememos a sua concretização.
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia. Era gente a correr pela música acima. Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima. Guitarras guitarras. Ou talvez mar. E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia. No teu ritmo nos teus ritos. No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia). Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos. E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia. No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia). Todo o tempo num só tempo: andamento de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia. Na cidade lavada chuva. Em cada curva acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia. Como se fosse na palavra a rosa brava acontecia. E era Dezembro que floria. Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava. E era na lava a rosa e a palavra. Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia
O projecto CIN RE-MAKE'10, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, promoveu a recuperação de alguns muros da cidade. José Luís Peixoto participou neste projecto de recuperação urbana com textos poéticos.
Eu e tu, Lisboa. Eu, feito de praças, avenidas, becos, escadinhas, e tu, feita de esperança, olhos a brilhar.Às vezes, quase acredito que és demasiado nova para mim mas, depois, falas-me daquilo que aprendeste e tenho de abraçar-te. Talvez assim nos misturemos mais ainda.
Em certos instantes, como agora, és uma sombra feita de vozes de crianças e jardins. Respiro-te, Lisboa, e peço-te que, por favor
não pares de me seguir.
A cor dos teus olhos. Lisboa acorda de manhã com o céu. Eu e um exército de irmãos somos a ponta dos teus dedos. Connosco, tocas o dia e, depois para te aconchegares, estendes o entardecer sobre ti.
Nasceste líquida, Lisboa. Ainda hoje há uma parte do silêncio dessa hora que escorre por este tempo. A tua idade é feita de vidro. Nos seus muros transparentes, misturas o rio com o oceano. Ainda hoje, fonte, continuas a nascer.
Abres o livro onde está escrita a nossa história. Aqueles que o lerem serão capazes de acreditar que nunca existimos,que nascemos da imaginação de um escritor ou de uma cidade. Sorrimos perante essa ideia, Lisboa. Temos lábios. Utilizamo-los para beijar-nos.
De onde chegas,
Lisboa? Cheiras a Brasil
e a Luanda, cheiras
a música e a chá.
Na praça, os pombos
são o contrário
de uma explosão,
trazem pedaços de ti,
devolvem o céu que
emprestaste ao mundo.
Sentas-te num banco
de jardim e não
esperas. Sento-me
ao teu lado, Lisboa.
Podíamos perguntar-
nos onde está a noite
quando é dia, mas não
o fazemos. Sabemos
que a noite está sentada
mais adiante, noutro
banco de jardim.
Conversamos com
ela em pensamento.
Procurem estes muros na Rua da Imprensa à Estrela, na Avenida de Ceuta e na Rua José Gomes Ferreira.
Os muros foram imaginados e pintados por alunos do IADE, ETIC, Faculdade de Arquitectura de Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Universidade Católica do Porto e Escola Superior Artística do Porto.
«Não li Clarice para a literatura, mas para a vida.», frase de António Calado, mas poderia ser minha. Eu li Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres e A Paixão Segundo G.H. quando tinha 20 anos e fiz desses livros, sobretudo do primeiro a minha bíblia. E comecei aí a saber melhor a pessoa que era e a atitude que me interessava ter perante a vida. Ontem, no CCB, teve lugar o DIA CLARICE LISPECTOR. Estava marcado na minha agenda. Foi a primeira vez que tive o prazer de, durante quatro horas, só ouvir ler e falar de Clarice Lispector e da sua obra. Infelizmente nem foram lidas passagens de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, nem o conferencista Carlos Mendes de Sousa falou desta obra. Para mim, essa é a obra que celebra o êxtase da vida e muito me faz lembrar Alberto Caeiro. Foi lida uma passagem de A Paixão Segundo G.H. e foram lidos os contos A Descoberta do Mundo , Preciosidade, O Búfalo, entre outros. Trancrevo eu algumas passagens de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres:
« (...) é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição.»
«(...) uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.»
«Nesta madrugada fresca foi ao terraço e refletindo um pouco chegou à assustadora certeza de que seus pensamentos eram tão sobrenaturais como uma história passada depois da morte. Ela simplesmente sentira, de súbito, que pensar não lhe era natural. Depois chegara à conclusão de que não tinha um dia-a-dia mas sim uma vida-a-vida.»
Leiam este livro e os outros que estão agora editados pela Relógio d' Água.
O Ódio Corrói a Consciência e Sabedoria das Pessoas - Nobel da Paz - Liu Xiaobo
.by Citador on Friday, December 10, 2010 at 10:39am.
Eu não tenho inimigos, nem odeio ninguém. Nem os polícias que me vigiaram, prenderam e me interrogaram, nem os advogados que me processaram, nem os juízes que me condenaram, são meus inimigos. Embora eu não possa aceitar a vigilância, prisão, processos ou condenação, respeito as suas profissões e as suas personalidades. O ódio corrói a consciência e sabedoria das pessoas; a mentalidade de hostilidade pode envenenar o espírito de uma nação, incitar a uma vida violenta e a conflitos de morte, destrói a tolerância e humanidade de uma sociedade, e bloqueia o progresso de uma nação na senda da liberdade e democracia.
Contudo, eu tenho esperança de conseguir transcender as minhas vicissitudes pessoais na compreensão do desenvolvimento do estado e de mudanças na sociedade, e de denunciar a hostilidade do regime com a melhor das intenções, e de acabar com o ódio através do amor..
Eu não me sinto culpado por seguir os meus direitos constitucionais e o direito de liberdade de expressão, e por exercer em pleno a minha responsabilidade social como cidadão chinês. Mesmo que esteja acusado por causa disso, não tenho queixas.
A reforma política da China deve ser gradual, pacífica, ordenada e controlável, e deve ser interactiva, desde cima a baixo e de baixo a cima. Desta forma terá o custo mais baixo e conduzirá aos resultados mais eficazes. Eu conheço os princípios básicos das mudanças políticas, e que mudanças sociais controladas e feitas de forma ordeira são melhores que aquelas que são feitas de forma caótica e sem qualquer controle. Por isso oponho-me a sistemas de governo que sejam ditaduras ou monopólios. Isto não é incitar à subversão do poder do Estado. Oposição não é equivalente a subversão.
Saí do comboio, Disse adeus ao companheiro de viagem, Tínhamos estado dezoito horas juntos. A conversa agradável, A fraternidade da viagem, Tive pena de sair do comboio, de o deixar. Amigo casual cujo nome nunca soube. Meus olhos, senti-os, marejaram-se de lágrimas... Toda despedida é uma morte... Sim, toda despedida é uma morte. Nós, no comboio a que chamamos a vida Somos todos casuais uns para os outros, E temos todos pena quando por fim desembarcamos.
Tudo que é humano me comove, porque sou homem. Tudo me comove, porque tenho, Não uma semelhança com ideias ou doutrinas, Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.
A criada que saiu com pena A chorar de saudade Da casa onde a não tratavam muito bem...
Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo, Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.
E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.
4/7/1934
Álvaro de Campos, Poesia, edição de Teresa Rita Lopes, Assírio & Alvim, 2002
Esta poesia foi magnificamente dita («falada») por Elisa Lucinda, no RECITAL À BRASILEIRA, que teve lugar na Casa Fernando Pessoa, no dia 03-12-2010
Vivemos realmente tempos extraordinários. Diariamente, deparamo-nos com notícias inacreditáveis.
Comecemos pelo preservativo na boca do Papa. Inesperadamente, surge a notícia de que o Papa Bento XVI aceitou o uso do preservativo e mais, aconselha-o mesmo em prol do amor. Espantámo-nos nós todos os que condenávamos a proibição do preservativo pela Igreja, a mais obsoleta caturrice, própria de uma Igreja medieval, e, para além do mais, atentatória da saúde pública e da vida humana, sobretudo desde que a sida se tornou uma ameaça nas relações amorosas. Mas falou o Papa (possivelmente para lançar fumo branco sobre os casos de pedofilia na Igreja) e, no momento seguinte, toda a Igreja, mesmo a mais conservadora, vem à ribalta dizer que pois, sempre foi essa a posição da Igreja, sempre se aconselhou o uso do preservativo para salvar o amor e patati, patatá... EXTRAORDINÁRIO!
Notícias cá do país - a história da remodelação governamental. Começou com o ministro Luís Amado, passou para a deputada europeia Ana Gomes e, depois, críticos e políticos, todos a dar palpites. Todos, menos José Socrates e os seus «ecos». Para estes, vivemos sempre no País das Maravilhas. Mas José Manuel Júdice faz a proposta mais inacreditável - a formação de um governo de salvação nacional com todos os partidos com assento parlamentar. Boa! Esta gostava eu de ver!
Voltando às notícias lá de fora. E que tal a guerra das Coreias e o açoite da China à Coreia do Norte? Pois assim é que se faz! Chama-se «infantil» ao governo de Pyong -Yang e assim se desanca psicologicamente uma potência nuclear. A China é que sabe. O pior é se o governo de Pyong -Yang é mesmo infantil e desata a brincar com os mísseis nucleares!
Continuemos este jogo de ping-pong noticioso. Repararam no líder da bancada socialista, Francisco Assis a ameaçar demitir-se se os deputados do PS votassem a favor da proposta do PCP sobre a tributação dos dividendos das empresas públicas e publico-privadas? Os deputados do PS deveriam ter deixado o seu líder demitir-se e ter votado a proposta do PCP se, de facto, estão interessados em remediar a situação económica do país que o seu partido tão brilhantemente tem contribuído para aniquilar. Mas lá se acobardaram à disciplina partidária, com uma insólita excepção para confirmar a regra. Mas teve piada a aflição de Francisco Assis, não fosse levar tau-tau de José Sócrates.
E ainda por cá. Ouviram aquela da criação de uma nova empresa pública para gerir ou supervisionar todas as empresas públicas e parcerias publico-privadas que navegam neste país? Não dá para acreditar! O ministro das finanças desvairou. É que o povo português fica mesmo arrepiado quando ouve uma coisa destas! As pessoas estão fartas de ouvir falar do esbanjamento e da corrupção que grassam nessas empresas e saber que o ministro Teixeira dos Santos vai criar mais uma, só para supervisionar as outras, realmente, só apetece perguntar se está a gozar com a malta. Até o CDS e o economista Nogueira Leite têm mais bom senso. Há no Ministério das Finanças gente qualificada para exercer essa importante função! Inacreditável!
E só faltava a NASA vir dizer que descobrira vida extraterreste! Será que o governo dos Estados Unidos desorientado com as revelações do site WikiLeaks resolveu subornar a Nasa e pedir-lhe revelações extraordinárias para fazer esquecer as outras? Afinal a bactéria não era extraterrestre e foi mesmo encontrada num lago da Califórnia e isso já se sabia havia muito tempo! De novo, só o pormenor do arsénio! (Poderá ser importante, não digo que não!) Mas, na verdade, que tempos inacreditáveis.
O mundo de Harvard (Outubro de 2003) em que vivem os miúdos do filme A Rede Social, de David Fincher, é um mundo em que, paralelamente à inteligência, à competência técnica, aos rasgos geniais dos estudantes, às relações afectivas próprias da juventude, grassam a competição, o oportunismo, a vingança, a traição, a ganância, inerentes à sociedade capitalista norte-americana e, no fundo, aos vícios da humanidade desde que os homens vivem em sociedade.
Mark Zuckerberg, um jovem inteligente de Harvard, sente-se humilhado porque a namorada, mais madura que ele, desfez o namoro, saturada do seu egotismo.A humilhação gera a raiva e a vontade de vingança e daí nasce a criação do site que irá dar origem ao Facebook.
Na génese deste site está a vingança, a traição, a deslealdade, a exibição pública do que deveria ser privado, o bullying. E também um comportamento excessivamente machista, o gozo de exibir as fotografias das jovens estudantes da Universidade e de espalhar as suas imagens.
E é assim que um site, em princípio com características pornográficas (porque exibe para gozo e possível «venda»), se vai transformar num sítio que espalha informações pessoais para relações sociais.
Extrapolando para além do filme e falando já do Facebook, como todas as coisas do mundo, sabe-se como começa, mas não se sabe como acaba. E, penso, o SHARE vai, de facto, transformar o mundo. As relações pessoais que por lá se desenvolvem, ou não, são um facto secundário. O que é deveras importante é que através do Facebook se espalham ou podem espalhar a uma velocidade alucinante informações que podem ser preciosas (política, direitos humanos, eventos, saberes, opiniões, etc., etc.).
Como já foi dito: SHARE OU NÃO, EIS A QUESTÃO!
Nota: O filme baseia-se no livro Milionários Acidentais, de Ben Mezrich , sobre Zuckerberg e o Facebook.
No jornal Expresso, de 13 de Novembro de 2010, Miguel Sousa Tavares no seu artigo «O Portugal Habitual», lançou uma explosão de epítetos ao madeirense Dr. Jardim, mais parecendo uma antecipação de um fogo de artifício epitético a deslumbrar a passagem do ano. Passo à compilação desses epítetos: Sua Alteza Atlântica Sua Alteza Insular
Aconselho uma visita ao Oceanário, no Parque das Nações em Lisboa, para, entre outras coisas, esquecer os problemas da dívida pública. De preferência com crianças interessadas e inteligentes.
Não existe confiança eterna em coisa nenhuma, quanto mais a hipotética «confiança eterna» que o líder da bancada parlamentar socialista Francisco Assis deseja para a confiança dos mercados internacionais na economia portuguesa.
Com certeza que, quando Francisco Assis se referiu à «confiança externa», deverá ter sentido uma imensa vontade de fazer um jogo de palavras com «confiança eterna», mas «confiança eterna» na economia portuguesa só poderia ser uma paródia com a triste situação desta economia.
Este episódio de que falo foi a última frase do depoimento para os media do líder socialista, após a viabilização, na Assembleia da República, do orçamento de estado para 2011. Talvez fosse a emoção do momento, talvez a viabilização deste orçamento desse a este socialista a sensação momentânea de felicidade eterna...
Mas «confiança eterna», quando se fala dos especuladores fanáticos dos mercados internacionais? Jerónimo de Sousa tem dogmas bastante mais sensatos: «Os especuladores especulam! Aos vampiros apenas cabe sugar o sangue!»
E é no mundo dos especuladores-vampiros que este país e esta Europa se movem!