sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rosas e alegria na descida do Chiado (Lisboa) - Manuel Alegre a Presidente


  Ontem à tarde no Chiado, gente de Lisboa  e muitos apoiantes espalharam rosas e desfilaram com Manuel Alegre, mostrando alegria e vontade de mudança e progresso nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro.





  Manuel Alegre: Ninguém nos impõe a História, ninguém nos impõe o destino; somos nós que vamos votar, somos nós que vamos decidir!




Como há cinco anos atrás, iremos votar Manuel Alegre, e, agora, passar à segunda volta das eleições!




domingo, 16 de janeiro de 2011

«Imagine» como seria o mundo sonhado por John Lennon


Imagine from PlayingForChangeFoundation on Vimeo.




Imagine
 
Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...



Imagine there's no countries,
It is'nt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...



Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world...



You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one
Imagina que não existe paraíso,
É fácil se tentares,
Nenhum inferno debaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagina todas as pessoas
Vivendo apenas o presente...


Imagina que não existem países,
Não é difícil imaginá-lo,
Nada para matar ou para morrer,
Também nenhuma religião,
Imagina todas as pessoas
Vivendo a vida em paz...


Imagina que não há poderes,
Pergunto-me se conseguirás,

Não existe ganância nem fome,
Apenas a fraternidade entre os homens,
Imagina todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.



Podes dizer que sou um sonhador,
Mas não sou o único,
Espero que algum dia tu te juntes a nós,
E o mundo será apenas um.
          
                    John Lenonn                              John Lennon

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Uma campanha presidencial atolada em fantasmas











   Nunca se viu uma campanha presidencial tão esquisita como esta - as pessoas não estão, de facto, disponíveis emocionalmente para se envolverem na defesa e propaganda dos candidatos que apoiam.
  As ameaças económicas oprimem  e desviam a atenção: o leilão da dívida pública, a entrada ou não do FMI, o recurso ao Fundo Europeu, os cortes nos salários, a subida dos impostos, ..., vive-se uma situação inquietante, stressante, que afasta os eleitores e os próprios candidatos presidenciais de uma defesa lúcida e tranquila das suas ideias e programas eleitorais. As intervenções dos candidatos são, fundamentalmente, comentários às vitórias ou derrotas face aos carrascos internacionais.
  A estranha sobrevalorização das acções do candidato-presidente Cavaco Silva no BPN (charco onde muito se afundou este país), as tentativas ridículas de meter Manuel Alegre na mesma onda de corrupção, as cassetes de Francisco Lopes, a figura filantrópica de Fernando Nobre, o  folclore de  Manuel Coelho e o regionalismo de Defensor Moura (inteligente, é verdade) não constroem um panorama eleitoral credível e convidativo.
  E, sobretudo, os Portugueses andam tensos demais, entre dias «decisivos» ou «não decisivos», e, apesar da inverosimilhança da proposta de Manuel Alegre de suspender a campanha, esta é uma campanha pouco verosímil.


 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O filme TULPAN, de Sergey Dvortsevoy - os afectos nas estepes do Cazaquistão

(publico.pt)

 
  Ver o filme Tulpan, de Sergey Dvortsevoy, confronta-nos com o dia-a-dia de uma família nómada nas estepes do Cazaquistão.
 Ali, onde os recursos se reduzem às ovelhas, a grandeza do ser humano apresenta-se despojada das vestes artificiais da civilização contemporânea.
 A família de Asa, o marinheiro que acabara de prestar serviço militar no exército russo, vive numa tenda nómada sem móveis (mesas, cadeiras, camas,...) sem fogões, frigoríficos, televisões, mas incute nos filhos regras de educação (não se brinca nem canta à mesa) e o relacionamento entre os seus membros caracteriza-se pelo máximo respeito moral e pela total preservação da dignidade pessoal (embora partilhem dia e noite o mesmo espaço). O afecto saudável, o carinho, a brincadeira, a alegria do canto, são os elos que unem a família e que a sustentam.
   O marinheiro Asa deseja Tulpan, a jovem casadoira que poderia dar-lhe uma família, o direito a um rebanho e ao trabalho de pastor.
  A estepe, as ovelhas, o difícil parto da ovelha praticado por Asa, o amor na sua expressão mais pura, a brincadeira do menino com o pau que faz de cavalo ou com o cágado que faz de automóvel, o canto infatigável da menina, os camelos, as ovelhas, o cão, a imensidão desértica da estepe, a poeira, o pastor, o veterinário - este filme faz-nos participar na acção, temos vontade de ajudar no parto da ovelha, enchemo-nos de poeira, rimos com as brincadeiras.
  Vermos este filme torna-nos mais saudáveis e humanos.



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Descida da sonda Cassini-Huygens em Titã (2005)

   A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras.
            Albert Einstein




RTP - COM CIÊNCIA     (Ver o vídeo de 05/01/2011)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Recordemos a 1ª década do séc.XXI - o termómetro de Nostradamus

(dn.sapo.pt)

  Terrorismos, calamidades ambientais, devastação económica e financeira, estes foram os três grandes pilares de uma década de instabilidades, terrores, morticínios, misérias e frustrações.
  O primeiro grande impacto foi o ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001 às Torres Gémeas em Nova Yorque. Morreram 2.996 pessoas das mais diversas nacionalidades, gente que trabalhava nessas Torres, muitos dos bombeiros que acorreram a prestar auxílio, os 19 sequestradores, os passageiros dos aviões, etc.
  Bin Laden e a Al-Qaeda vestiram a pele dos monstros terroristas e os EUA apressaram-se a responder com invasões bélicas no Afeganistão e no Iraque. O mundo inteiro assistiu à guerra em directo pelos meios de comunicação social, testemunhou os bombardeamentos, a destruição, a carnificina.


  No dia 11 de Março de  2004, novo ataque terrorista da Al-Qaeda, em Madrid, nas estações de metro de Atocha, El Pozo e Santa Engrácia. Mais de 190 pessoas mortas e muitos sinistrados.

(World Press Photo 2004)

  A 26 de Dezembro de 2004, um Tsunami devastou as terras banhadas pelo Oceano Índico - Indonésia, Tailândia,Sri Lanka, Somália, Maldivas, Seychelles, etc. - com efeitos destruidores inimagináveis, um total de cerca de 175 mil mortos.
  Em Janeiro de 2009, o exército israelita invadiu por terra a Faixa de Gaza arrasando e chacinando tudo o que se lhe deparava pela frente.Terão morrido 1.314 palestinianos.


(publico.pt)

  No dia 14 de Janeiro de 2010, um forte terramoto assolou o Haiti, transformando este país num amontoado de escombros, mortos e desalojados. Estima-se que tenham morrido cerca de 200 mil pessoas.
  A fraude e a corrupção económica e financeira mostraram, no final de 2008, a sua face maquiavélica. A especulação imibiliária, os offshores (paraísos fiscais), os investimentos tóxicos, os ganhos ilícitos, todos os Madoffs das sociedades capitalistas e que há muito enriqueciam, criaram o caos económico, levaram países à bancarrota, disseminaram o desemprego e a miséria.

   Vivemos, na verdade, uma década vertiginosa e, por vezes, com características apocalípticas.
  Lembrámo-nos, amiúde, das profecias de Nostradamus. E tememos a sua concretização.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NATAL, de Manuel Alegre



(Ori Gersht)




Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia

30 Anos de Poesia, de Manuel Alegre



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

José Luís Peixoto: poemas nos muros de Lisboa


  
    O projecto CIN RE-MAKE'10, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, promoveu a recuperação de alguns muros da cidade. José Luís Peixoto participou neste projecto de recuperação urbana com textos poéticos.

     

Eu e tu, Lisboa. Eu, feito de praças, avenidas, becos, escadinhas, e tu, feita de esperança, olhos a brilhar.Às vezes, quase acredito que és demasiado
 nova para mim mas, depois, falas-me daquilo que aprendeste e tenho
de abraçar-te. Talvez assim nos misturemos mais ainda.




Em certos instantes, como
agora, és uma sombra feita
de vozes de crianças e
 jardins. Respiro-te, Lisboa,
e peço-te que, por favor
 não pares de me seguir.


A cor dos teus olhos. Lisboa
acorda de manhã com o céu.
Eu e um exército de irmãos
somos a ponta dos teus dedos.
Connosco, tocas o dia e, depois
para te aconchegares, estendes
o entardecer sobre ti.





    Nasceste líquida, Lisboa. Ainda hoje
 há uma parte do silêncio dessa hora
 que escorre por este tempo. A tua idade
é feita de vidro. Nos seus muros
 transparentes, misturas o rio com
 o oceano. Ainda hoje, fonte, continuas
 a nascer.





  Abres o livro onde
 está escrita a nossa
 história. Aqueles
que o lerem serão
 capazes de
acreditar que nunca
existimos,que
nascemos da
imaginação de um
escritor ou de uma
 cidade. Sorrimos perante essa ideia,
 Lisboa. Temos
 lábios. Utilizamo-los
 para beijar-nos.



De onde chegas,
Lisboa? Cheiras a Brasil
e a Luanda, cheiras
a música e a chá.
Na praça, os pombos
são o contrário
de uma explosão,
trazem pedaços de ti,
devolvem o céu que
emprestaste ao mundo.


   Sentas-te num banco
de jardim e não
 esperas. Sento-me
 ao teu lado, Lisboa.
Podíamos perguntar-
nos onde está a noite
 quando é dia, mas não
o fazemos. Sabemos
 que a noite está sentada
 mais adiante, noutro
 banco de jardim.
 Conversamos com
 ela em pensamento.




    Procurem estes muros na Rua da Imprensa à Estrela, na Avenida de Ceuta e na Rua José Gomes Ferreira.

  Os muros foram imaginados e pintados por alunos do IADE, ETIC, Faculdade de Arquitectura de Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Universidade Católica do Porto e Escola Superior Artística do Porto.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Clarice Lispector no CCB - leituras, conferência e filme A Hora da Estrela



  «Não li Clarice para a literatura, mas para a vida.», frase de António Calado, mas poderia ser minha. Eu li Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres e A Paixão Segundo G.H. quando tinha 20 anos e fiz desses livros, sobretudo do primeiro a minha bíblia. E comecei aí a saber melhor a pessoa que era e a atitude que me interessava ter perante a vida.
  Ontem, no CCB, teve lugar o DIA CLARICE LISPECTOR. Estava marcado na minha agenda. Foi a primeira vez que tive o prazer de, durante quatro horas, só ouvir ler e falar de Clarice Lispector e da sua obra. Infelizmente nem foram lidas passagens de Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, nem o conferencista Carlos Mendes de Sousa falou desta obra. Para mim, essa  é a obra que celebra o êxtase da vida e muito me faz lembrar Alberto Caeiro.
  Foi lida uma passagem de A Paixão Segundo G.H. e foram lidos os contos A Descoberta do Mundo ,  Preciosidade, O Búfalo, entre outros.
  Trancrevo eu algumas passagens de Uma  Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres:

  « (...) é que tudo o que existia, existia com uma precisão absoluta e no fundo o que ela terminasse por fazer ou não fazer não escaparia dessa precisão; aquilo que fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, não transbordava nenhuma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete: tudo o que existia era de uma grande perfeição.»

«(...) uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.»

«Nesta madrugada fresca foi ao terraço e refletindo um pouco chegou à assustadora certeza de que seus pensamentos eram tão sobrenaturais como uma história passada depois da morte. Ela simplesmente sentira, de súbito, que pensar não lhe era natural. Depois chegara à conclusão de que não tinha um dia-a-dia mas sim uma vida-a-vida.»

    Leiam este livro e os outros que estão agora editados pela Relógio d' Água.


sábado, 11 de dezembro de 2010

A carta de Liu Xiaobo lida em Oslo




O Ódio Corrói a Consciência e Sabedoria das Pessoas - Nobel da Paz - Liu Xiaobo


.by Citador on Friday, December 10, 2010 at 10:39am.


   Eu não tenho inimigos, nem odeio ninguém. Nem os polícias que me vigiaram, prenderam e me interrogaram, nem os advogados que me processaram, nem os juízes que me condenaram, são meus inimigos. Embora eu não possa aceitar a vigilância, prisão, processos ou condenação, respeito as suas profissões e as suas personalidades. O ódio corrói a consciência e sabedoria das pessoas; a mentalidade de hostilidade pode envenenar o espírito de uma nação, incitar a uma vida violenta e a conflitos de morte, destrói a tolerância e humanidade de uma sociedade, e bloqueia o progresso de uma nação na senda da liberdade e democracia.
  Contudo, eu tenho esperança de conseguir transcender as minhas vicissitudes pessoais na compreensão do desenvolvimento do estado e de mudanças na sociedade, e de denunciar a hostilidade do regime com a melhor das intenções, e de acabar com o ódio através do amor..
  Eu não me sinto culpado por seguir os meus direitos constitucionais e o direito de liberdade de expressão, e por exercer em pleno a minha responsabilidade social como cidadão chinês. Mesmo que esteja acusado por causa disso, não tenho queixas.
  A reforma política da China deve ser gradual, pacífica, ordenada e controlável, e deve ser interactiva, desde cima a baixo e de baixo a cima. Desta forma terá o custo mais baixo e conduzirá aos resultados mais eficazes. Eu conheço os princípios básicos das mudanças políticas, e que mudanças sociais controladas e feitas de forma ordeira são melhores que aquelas que são feitas de forma caótica e sem qualquer controle. Por isso oponho-me a sistemas de governo que sejam ditaduras ou monopólios. Isto não é incitar à subversão do poder do Estado. Oposição não é equivalente a subversão.

                                                      Liu Xiaobo


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

«Saí do comboio», de Álvaro de Campos

  

Saí do comboio,
Disse adeus ao companheiro de viagem,
Tínhamos estado dezoito horas juntos.
A conversa agradável,
A fraternidade da viagem,
Tive pena de sair do comboio, de o deixar.
Amigo casual cujo nome nunca soube.
Meus olhos, senti-os, marejaram-se de lágrimas...
Toda despedida é uma morte...
Sim, toda despedida é uma morte.
Nós, no comboio a que chamamos a vida
Somos todos casuais uns para os outros,
E temos todos pena quando por fim desembarcamos.

Tudo que é humano me comove, porque sou homem.
Tudo me comove, porque tenho,
Não uma semelhança com ideias ou doutrinas,
Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.

A criada que saiu com pena
A chorar de saudade
Da casa onde a não tratavam muito bem...

Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo,
Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.

E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.


4/7/1934

Álvaro de Campos, Poesia, edição de Teresa Rita Lopes, Assírio & Alvim, 2002

  Esta poesia foi magnificamente dita («falada») por Elisa Lucinda, no RECITAL À BRASILEIRA, que teve lugar na Casa Fernando Pessoa, no dia 03-12-2010