segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Anne Sofie von Otter - Chanson des vieux amants (Brel)

UM ANO MAIS, de Mike Leigh - as inquietações da solidão

(publico.pt)


   Mike Leigh dá-nos a visão de uma Inglaterra feita de solidões, afetos frustrados, frieza no tratamento de questões humanas como a morte, onde apenas se salvam aqueles que têm  casamentos estáveis, fazem muitos jantarinhos e cultivam tomates e hortaliças em pequenas hortas. Parece-me uma visão bastante redutora.
  As personagens encontram-se, fundamentalmente, à volta da mesa, nos almoços e jantares que o núcleo familiar, ostensivamente feliz, organiza, convidando as amigas e amigos solitários que, ao longo das  conversas, vão apresentando os seus insucessos afectivos e bebendo freneticamente. O álcool é «o amigo sempre à mão» que leva os solitários a fazer figuras tristes e acabar alcoolizados.
  O suceder  das estações - primavera, verão, outono, inverno - é determinante para completar o real retrato das personagens (as alterações de comportamento - previsíveis - irão ajustar-se às circuntâncias e ao decorrer do tempo).
  A personagem Mary, secretária da terapeuta Gerri (a mulher de Tom - Tom and Gerri, estão a ver!) é excessivamente ridicularizada na sua falta de homem, na sua inabilidade para conduzir automóveis e nos seus azares constantes. A amizade entre a terapeuta e a secretária é apenas para entreter ou animar os almoços e jantares.
  A imagem da sociedade inglesa revela-se depressiva e deprimente para o espectador.

(publico.pt)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

EGITO - OS SÍMBOLOS DA LIBERTAÇÃO

  Os egípcios limpam o seu país e vêem esse facto como um símbolo da limpeza política que estão a fazer. E mostram que são um povo civilizado, que um país limpo, também no sentido literal, é fundamental para uma vida mais feliz.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O DIA DA VITÓRIA na Praça da Libertação - felicidade e festa (CAIRO/EGITO)


(publico.pt)

 DIA HISTÓRICO, 11 de Fevereiro de 2011! Dezoito dias de decisão e firmeza deram ao EGITO o poder de derrubar um regime, de mudar um país e talvez o mundo. Momentos inolvidáveis de FELICIDADE estes que se vivem no Egito. É o dia de esquecer o medo e acreditar na coragem e na esperança dos homens deste século.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

«Estrela Distante», de ROBERTO BOLAÑO - um poeta-assassino no Chile pós-Allende



   ROBERTO BOLAÑO constrói, neste romance, o percurso de um poeta medíocre, fortemente integrado na inteligenzzia chilena, que, após o golpe de estado contra Salvador Allende, colabora com as milícias assassinas, denunciando amigos e companheiros das antigas tertúlias literárias.
  Muitos capítulos prendem o leitor pelo curso inesperado dos acontecimentos, como aquele em que são relatados os factos relacionados com o assassinato das irmãs Garmendia, ambas poetisas.
  Carlos Wieder, o poeta-assassino, que escreve poemas (maus poemas) nos céus de Santiago com o fumo lançado do seu avião (C. W. é também tenente da Força Aérea Chilena) e que organiza happennings fotográficos exibindo corpos decepados, martirizados, assassinados, é o centro da ação, o fulcro do interesse do narrador.
  Estrela Distante é também um romance policial em que o assassino será descoberto e punido pelos seus crimes.
  A leitura deste romance, para além de proporcionar ao leitor o conhecimento da escrita e do universo literário de Bolaño, permite a visão de um Chile caótico, perigoso, traiçoeiro, policial, de onde os chilenos democratas tiveram de fugir, de emigrar, para sobreviver.

  Nota: A tradução da Teorema foi muito mal revista, os erros de concordância (género, número) são encontrados a cada passo, o que não é nada agradável. Trata-se de um mau trabalho desta Editora.




sábado, 5 de fevereiro de 2011

Do jasmim da Tunísia à revolução no mundo árabe


  Começou na Tunísia, em meados de Janeiro, e provocou o abandono do poder do presidente Ben Ali.
  Rapidamente, alastrou ao Egito, onde o povo, na praça Tahrir, no Cairo, se manifesta há quase duas semanas pela demissão do presidente Mubarak.
  No Líbano, tiveram lugar protestos contra o governo de Najib Mikati, apoiado pelo Hezbollah - foram queimados carros e bloqueadas estradas.
 Em Marrocos, houve manifestações de professores e as forças de segurança evitaram quatro imolações.
  Na Argélia, está marcada uma manifestação para 12 de fevereiro contra o regime de Bouteflika   e os sindicatos convocaram greves para a próxima semana.
 Na Líbia, mensagens no Facebook apelam à Intifada a 17 de fevereiro.
  Na Síria, o «dia da ira» contra o regime de Bashar al-Assad, marcado para ontem no Facebook, foi reprimido pelas forças de segurança, mas estão previstos protestos em Damasco.
  Na Jordânia, houve manifestações contra o aumento de preços e o desemprego depois de o rei Abdullah nomear novo Executivo.
  Na Arábia Saudita, foram detidos manifestantes em Jedda  e está marcada uma greve geral na próxima semana.
  Em Omã, 200 manifestantes pediram esta semana o fim da corrupção e do aumento do custo de vida.
  No Iémen, 100 mil pessoas manifestaram-se no «dia da ira» contra o regime do presidente Saleh.
  No Sudão, estudantes manifestaram-se contra o aumento do preço dos bens de consumo.
  Em Gaza, o governo do Hamas reprimiu uma manifestação contra Mubarak.



   Se percebermos que há mundo para além dos nossos medos, talvez haja esperança para estes povos afirma Daniel Oliveira, hoje no jornal Expresso.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Assim vai a barra na Ilha da Fuseta

 
  No momento em que estas fotografias foram tiradas, ontem dia 3 de Fevereiro, a maré estava cheia e a barra estava navegável. Com a maré baixa não há barra.
  Os pescadores boicotaram as eleições presidenciais, como foi noticiado na altura, mas acabaram por votar. Foi-lhes prometido que a situação da barra iria ser tratada.
  Como se vê, está um batelão na ria que irá proceder à retirada de areias, as areias que durante o inverno obstruiram a barra.


  Não irão ser colocadas pedras para segurar as areias como pretendiam os pescadores. Periodicamente, serão retiradas areias pelas dragas. A barra junto da ilha de Tavira está fechada e esse facto irá aumentar o fluxo de águas nesta nova barra.  

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ALERTA A TODOS OS JOVENS: fujam de armadilhas como aquela em que caiu Renato Seabra

  Estou enganada? Não me parece!
  Porque é que tudo o que diz respeito a Carlos Castro, aos seus amiguinhos e amiguinhas, ao seu detetive particular, aos choros e requebros das maninhas me provoca repulsa? Serão preconceitos?
  E porque é que entendo o comportamento de Renato Seabra e o considero um ato desesperado de libertação de um cerco cujo grau de perversão deverá ter atingido proporções desmedidas? Serei potencial assassina?
  Estarei enganada? Parece-me que não!


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sophia de Mello Breyner Andresen e o poema QUANDO


QUANDO

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

Dia do Mar, Shophia de Mello Breyner Andresen


   Nos dias 27 e 28 de Janeiro, realizou-se, na Fundação Calouste Gulbenkian, um COLÓQUIO INTERNACIONAL sobre Sophia de Mello Breyner Andresen cujos promotores foram Maria Andresen de Sousa Tavares e o Centro Nacional de Cultura.
  Uma grande parte das comunicações feitas neste colóquio constam da revista Colóquio Letras, número 176 de Janeiro/Abril 2011, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, dedicada na sua maior parte a Sophia de Mello Breyner Andresen.
  Todas as comunicações que ouvi foram de excepcional qualidade. O poema que transcrevi acima, de 1947, foi apresentado por Alexis Levitin, cuja comunicação consistiu na relação entre alguns poemas em Português e a sua tradução para Inglês («The Tranlation of Transparency»). Trata-se, de facto, de um poema muito belo.

 

sábado, 29 de janeiro de 2011

A MINHA ALEGRIA (MY JOY), de Sergei Loznitsa - a beleza fotográfica

 

   Por onde andará a alegria neste filme? Na verdade, só por ironia este título pode ter sido dado a este filme.
  A minha alegria (My joy), de Sergei Loznitsa, mostra-nos uma Rússia, pós segunda grande guerra, miserável, corrupta, violenta, desprovida de sentimentos, de regras morais, de humanidade, onde os agentes da autoridade são tão desprezíveis e pervertidos como os mais arrepiantes vagabundos.
  O camionista Georgy viaja pelo país, observando, movimentando-se com cautela, procurando não alinhar na exploração humana que a cada paragem se lhe apresenta. Inútil! Aquele país dos sovietes está irremediavelmente perdido!
  Esta visão terrivelmente negativa de Loznitsa contrasta com a beleza da fotografia que nos oferece. O filme retém-se em muitas cenas, pondo em evidência um talento fotográfico assinalável.
  As minhas expectativas em relação a este filme eram, em boa verdade, muito diferentes da realidade com que me deparei.



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Votaram Cavaco Silva, agora fiquem como a nêspera de Mário-Henrique Leiria





  No último comício de Manuel Alegre, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, Francisco Louçã lembrou o poema (história) da nêspera de Mário-Henrique Leiria para apelar ao voto, ao empenhamento político, à intervenção na vida política do país. 
  Aqueles que ontem se abstiveram de ir votar e os que votaram em Cavaco Silva vão ficar  e, infelizmente, obrigar os outros portugueses a ficar como a nêspera, deitada, muito calada a ver o que vai acontecer. E depois, obviamente, a VELHA, zás, vai papá-la!!     



Rifão quotidiano


Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece


Novos Contos do Gin, de Mário-Henrique Leiria 

domingo, 23 de janeiro de 2011

ANTÍGONO, de Antonio Mazzoni - uma ópera inesperada



(Pedro Cunha)




  Valeu a pena ver, ontem, véspera de eleições, esta ópera de Mazzoni. Foram cinco horas passadas com o maior prazer na segunda plateia do Grande Auditório do CCB. E vale a pena ler o artigo de Pedro Boléo, abaixo indicado.

Leiam o artigo sobre esta ópera de 1755 e vejam o vídeo incorporado!







sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Rosas e alegria na descida do Chiado (Lisboa) - Manuel Alegre a Presidente


  Ontem à tarde no Chiado, gente de Lisboa  e muitos apoiantes espalharam rosas e desfilaram com Manuel Alegre, mostrando alegria e vontade de mudança e progresso nas eleições presidenciais de 23 de Janeiro.





  Manuel Alegre: Ninguém nos impõe a História, ninguém nos impõe o destino; somos nós que vamos votar, somos nós que vamos decidir!




Como há cinco anos atrás, iremos votar Manuel Alegre, e, agora, passar à segunda volta das eleições!




domingo, 16 de janeiro de 2011

«Imagine» como seria o mundo sonhado por John Lennon


Imagine from PlayingForChangeFoundation on Vimeo.




Imagine
 
Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the people
living for today...



Imagine there's no countries,
It is'nt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace...



Imagine no possessions,
I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of men,
imagine all the people
Sharing all the world...



You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one
Imagina que não existe paraíso,
É fácil se tentares,
Nenhum inferno debaixo de nós,
Sobre nós apenas o firmamento.
Imagina todas as pessoas
Vivendo apenas o presente...


Imagina que não existem países,
Não é difícil imaginá-lo,
Nada para matar ou para morrer,
Também nenhuma religião,
Imagina todas as pessoas
Vivendo a vida em paz...


Imagina que não há poderes,
Pergunto-me se conseguirás,

Não existe ganância nem fome,
Apenas a fraternidade entre os homens,
Imagina todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo.



Podes dizer que sou um sonhador,
Mas não sou o único,
Espero que algum dia tu te juntes a nós,
E o mundo será apenas um.
          
                    John Lenonn                              John Lennon