terça-feira, 26 de julho de 2011

Algumas imagens de um passeio por terras do Castelo de Almourol





















NOTAS: Fizemos o passeio no dia 21 de Julho. Partimos de Tancos, do embarcadouro, para o Castelo de Almourol. Desembarcámos no cais da ilha onde se encontra o Castelo, subimos a encosta, descobrindo rochas e catos, passeámos pelas muralhas e ameias do castelo, avistámos e contemplámos as paisagens em volta, subimos ao topo, maravilhámo-nos com aquelas belezas. Sobretudo quem ainda por lá não tinha andado.

   

sábado, 16 de julho de 2011

A SOBRETAXA EXTRAORDINÁRIA (o novo imposto) - e os JUROS e os DIVIDENDOS ficam de fora?!

publico.pt


  A sobretaxa extraordinária em sede de IRS, a pagar até 23 de dezembro de 2011 pelos trabalhadores dependentes e pelos pensionistas e, em 2012, pelos trabalhadores independentes e a recibos verdes, foi apresentada ao país pelo Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, no passado dia 14, 5ª feira.
 A performance do ministro parece-me, neste momento, secundária. A lentidão e as hesitações vocais serão, seguramente, ultrapassadas com a rodagem que se seguirá.
 O que me abismou na apresentação deste novo imposto foi o facto dos juros dos grandes depósitos bancários e os dividendos das grandes empresas distribuídos pelos acionistas ficarem isentos de qualquer pagamento. 
 Apetece dizer - «QUE GRANDE LATA!!»
  O regime é capitalista, certo. Mas os tempos são de pré bancarrota e a mudança das regras económicas é absolutamente necessária!!
  Marques Mendes, personalidade do PSD, criticou logo no dia seguinte na TVI24 este absurdo.Que é de um absurdo que se trata!!
  O dirigente sindical Carvalho da Silva criticou o imposto dizendo que o capital fica de fora. Mas a palavra marxista capital é hoje uma palavra vaga, oca. Ninguém fica a saber realmente o que está mal neste imposto. Os dirigentes sindicais têm que ser concretos e apontar os erros em particular. É tempo de abandonar essa terminologia teórica e distante que o povo não entende!!
  Um tal analista e economista Eugénio Rosa, que agora é muito chamado para debates televisivos, entretém-se a lançar poeira para os auditórios, alertando para o desastre económico iminente e defendendo as poupanças. Que poupanças? As poupanças de quem trabalha ou os grandes depósitos de centenas de milhar ou de milhões de euros que resultam de heranças ou da especulação com toda a espécie de origens? Parece-me que o que interessa mesmo a este tipo de comentaristas é confundir, amortecer o povo. E o povo, quando questionado nas ruas pelas televisões diz, ingenuamente, que «Tem que ser!», «Tem que se ajudar o país!» Pois é, mas há os que não têm que ajudar o país...
  É fácil enganar o povo!
  Telmo Correia do CDS dizia ontem num frente-a-frente na Sic Notícias que os portugueses votaram numa maioria que defende os grandes depósitos bancários e, portanto, é natural que o governo os defenda.
  QUE LATA! QUE GRANDE LATA!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

HADEWIJCH, de Bruno Dumont - os mistérios da obsessão crística




  Céline sobe, torturada, uma encosta verdejante próxima do convento onde vive e dirige-se, determinada, para um oratório onde se encontra a imagem de Cristo cruxificado e que se situa no cimo dessa encosta. Frente ao oratório, fala com Cristo, em sofrimento, como uma pessoa que vive desesperada.
 No convento, Céline não come, mortifica-se, de tal modo que a madre superiora, atenta e sensata, a obriga a abandonar o convento e a procurar Cristo na vida real.
  No entanto, na vida real, Céline pertence a uma família da alta burguesia parisiense, é filha de um político que pouca ou nenhuma atenção presta à família e de uma mãe deprimida e silenciosa. Uma família sem afetos e onde domina a solidão.
  Num bar de Paris, Céline conhece um grupo de jovens muçulmanos e entra num relacionamento com Yassine. Porém, Céline define a relação. Relações sexuais não terá com homem algum, a paixão de Céline é por Cristo e para ele se reserva.
  Yassine tem um irmão, Nassir, um teólogo muçulmano, militante da causa palestiniana. Entre Céline e Nassir estabelecem-se convergências, a religiosidade liga-os, compreendem-se nas paixões.
  Para Nassir, as pessoas de fé são «soldados de Deus que vivem para repor a justiça no mundo». Céline deixa-se convencer e presta-se ao sacrifício.
  Hadewijch era o nome de uma religiosa mística de Antuérpia que viveu no século XII e escreveu um «Livro de Visões». Hadewijch  é também o nome do convento onde Céline se recolhe para viver a sua fé. 
  Céline, a Hadewijch do século XXI, volta ao convento onde continua, desesperada, a perseguir a sua obsessão crística.

  Este filme coloca-nos interrogações sobre a fé vivida de forma fundamentalista, sobre as razões que a originam - a falta de afeto (Céline), a injustiça (Nassir).
  Em Hadewijch , a religião cristã e a islamita compreendem-se nos seus excessos, nas suas excentricidades - um paralelismo a não esquecer!

 

terça-feira, 5 de julho de 2011

VIAGEM A PORTUGAL, de Sérgio Tréfaut - uma burocracia acéfala

fotografia do dn.pt

  No aeroporto de Faro, no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, uma mulher ucraniana vê-se detida pela polícia por chegar a Portugal com um visto turístico e não um visto de residência ( vinha visitar o marido, um negro nigeriano que fizera o curso de medicina em Kiev).
  Inicialmente, a investigação parece legítima - poderia tratar-se de mais uma ucraniana seduzida por uma máfia qualquer para ser explorada como prostituta num qualquer bar de alterne como acontece com frequência. Mas o que se torna revoltante na história é que, verificado o engano e as razões honestas da viagem a Portugal da mulher ucraniana, as humilhações e o tratamento indigno para qualquer ser humano continuam por parte da mulher polícia chefe e dos «vendilhões» daquele «Templo» ( a ucraniana era médica, casada, de facto, com um médico nigeriano que era imigrante em Portugal).
  Maria de Medeiros desempenha magnificamente o papel da ucraniana e Isabel Ruth, a detestável mulher-polícia, tem também uma espantosa representação.
  Em cenários minimalistas e com meios visivelmente reduzidos, Sérgio Tréfaut conta e filma magistralmente esta história que se baseia em factos reais passados em 1998.
  A imagem desse Portugal é má e mostra uma burocracia acéfala, que não se ajusta a situações inesperadas nem entende razões humanas fora dos estereótipos legais e uniformes.
 Seria importante que os portugueses ( e não só!) vissem o filme e refletissem!


terça-feira, 21 de junho de 2011

Se Nobre tivesse sido nobre ...

 Se Fernando Nobre tivesse mesmo sido nobre:
 
 1º não se teria candidatado a Presidente da República;

 2º teria recusado entrar nas listas do PSD (ou de qualquer outro partido);

 3º teria aceitado quando, no Facebook, foi alvo de insultos e críticas (de tal modo que se viu obrigado a retirar a sua página) que os portugueses não o quisessem na vida política;

 4º não se teria candidatado a Presidente da Assembleia da República (condição para entrar nas listas do PSD!);

 5º teria desistido das suas pretenções a Presidente da Assembleia da República quando todos os partidos revelaram as suas intenções de não o apoiar, inclusive vários membros do PSD;

 6º devia ter desistido logo à primeira volta da sua candidatura a Presidente da A.R.;

7º não teria continuado sequer como deputado da Assembleia da República.

   E porquê? Porque Fernando Nobre tem escrito na cara que não tem qualquer jeito para a política.(ponto final)

 Nota: jeito (neste contexto) significa: coerência e clareza ideológica, sagacidade, fluência, agilidade mental, cultura geral, cultura política, sedução verbal, sedução mímica, convicção, ...

ECLIPSE total da lua (fotografias)


sábado, 11 de junho de 2011

Derrotas e vitórias eleitorais - a democracia tem razões...


     As eleições legislativas de 5 de junho deram uma derrota muito evidente a José Sócrates, secretário geral do PS, que se demitiu minutos depois de serem conhecidos os resultados.
  A aversão a José Sócrates foi crescendo com o decorrer dos anos de poder e, penso, só pelo facto de não haver um líder minimamente credível no PSD nas eleições de 2009, o PS ganhou e José Sócrates continuou no poder.
  A crise económica, o endividamento excessivo, os gastos públicos, a corrupção tiveram um peso importante. Uma alternativa governamental deu esperanças de novas soluções ou, pelo menos, de obrigar a repensar alguns esquemas viciados, algumas opções duvidosas.
  No entanto, penso que, se José Sócrates não tivesse sido reeleito secretário geral do PS no último congresso, os resultados das eleições legislativas poderiam ter sido diferentes. O ódio a Sócrates e a alguns dos seus tentáculos poderosos (Silva Pereira, Santos Silva, ...) teve razões para além da crise económica. Sócrates apresentou-se sempre demasiado arrogante, teatral e distante. Parecia realmente um ator, sempre a representar o papel  de César, a debitar um discurso que cheirava progressivamente mais a irrealista e artificial. As «mentiras» a que o povo se referia deviam-se às mudanças contínuas na economia europeia, mas também ao estilo ultraconfiante e embalador de José Sócrates.
  A democracia afasta as prepotências e destrói as arrogâncias. Em democracia não há mal que sempre dure... Nem o que estava nem o que virá! Os fanáticos e os facciosos da esquerda e da direita existem em democracia e têm o seu lugar. Mas, louvada seja a democracia!, o bom senso costuma vencer.


domingo, 5 de junho de 2011

Mariana de Moraes (neta de Vinicius de Moraes) em POEMA BAR (Casa Fernando Pessoa)


  POEMA BAR trouxe à Casa Fernando Pessoa (Lisboa), no passado dia 2 de Junho, a neta de Vinicius de Moraes, Mariana de Moraes, e o ator Alexandre Borges para um espetáculo de recitação e de canto de poesia de Vinicius de Moraes, Álvaro de Campos, Alexandre O'Neill, entre outros. 
  Foi magnífica a seleção dos poemas, a recitação de Alexandre Borges e o canto de Mariana de Moraes. O prazer e a autenticidade de cada gesto, de cada tom de voz, de cada palavra suplantaram qualquer encenação cuidadosamente preparada e demoradamente treinada. Aqui alguma improvisação favoreceu o afeto, a intimidade e a sensualidade.


segunda-feira, 30 de maio de 2011

A ÁRVORE DA VIDA, de Terrence Malick - uma religiosidade conhecida, mas sempre esquecida




   Uma família texana dos anos 50. A morte de um filho de 19 anos, possivelmente na Guerra do Vietname. E a urgência desesperada de obter uma explicação, uma justificação.
  O Livro de Job, do Velho Testamento, Deus que tudo dá e tudo tira, a origem do Universo, da vida, o movimento incessante de todas as coisas, a transformação implacável, a família, o nascimento dos filhos, a renovação - o mistério da vida e a morte!
  Terrence Malick confronta-nos com a dor do crescimento, a «guerra» dos afetos no seio de uma família, a violência dos estereótipos da educação, o sofrimento que os seres humanos que se amam causam uns aos outros quer por pulsões primárias, quer por convenções sociais irrisórias.
  Para quê a rigidez, a dureza com que as pessoas se organizam em sociedades, nas famílias? A fragilidade de todas as coisas do Universo e da vida é irremediável!
  O Livro de Job lidera as interrogações do filme.E o século XXI tem mostrado a profundidade e a verdade dessas palavras. A humildade perante a vida e o Universo deve ser a atitude, o posicionamento do ser humano - essa é a religiosidade a que o filme nos convida e que acaba por nos impregnar.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

A fotógrafa Jamie Beck: cinemagraphs e fotografias


  A fotógrafa novaiorquina Jamie Beck inventou uma nova forma de fazer fotografia.
Misturando o filme com a fotografia, começou a produzir fotografias com movimento, fazendo salientar os elementos da imagem que mais beleza e realismo lhe podem transmitir.
  Jamie Beck é uma magnífica fotógrafa. Não são apenas os cinemagraphs (que circulam na internet para abrir as bocas de espanto), mas todo o seu trabalho fotográfico de pesquisa e experimentação me parece digno de muita atenção e reconhecimento. O seu blogue http://fromme-toyou.tumblr.com/
merece ser visitado e admirado.
  Publico alguns cinemagraphs e fotografias que achei muito interessantes:


Jamie Beck cenouras


Jamie Beck copo de refresco



Jamie Beck vinho para o copo



Jamie Beck saia que mexe e sapatos azuis


Jamie Beck menina de folho branco ao vento


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Conferência-bomba em CIDADE aTRAVESSA (poesia dos lugares)

   Nos dias 18 e 19 de maio, teve lugar, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, o evento Cidade aTravessa (poesia dos lugares), um evento que reúne poetas de vários países e que, pela primeira vez, se realizou em Portugal, embora vá na sua décima primeira edição.
  O objetivo destes eventos é reunir «vertentes poéticas atuais» de diversas partes do mundo e apresentá-las a um público aberto. Neste evento, participaram poetas do Brasil, Itália, México, Holanda, França, Portugal, entre outros.



  Ontem, uma Conferência-bomba, realizada por Graça Capinha (Portugal) e Arie Pos (Holanda), «Cartografia dos redutos na poesia portuguesa, traçada por dentro e por fora», apresentou resultados de uma investigação que revela o grande desconhecimento da maior parte da poesia que se faz em Portugal pelo país fora (capital e província), em papel ou eletrónica (blogues), permitindo a valorização continuada de uma mesma espécie de poesia, a dos autores consagrados - Camões, Pessoa, e os outros que lhes vão no encalço. O trabalho de investigação «Novas Poéticas de Resistência do século XXI em Portugal» (brevemente on-line) mostra como se organizam os concursos literários em Portugal, sempre com os mesmos membros dos júris, premiando sempre o mesmo tipo de poesia e os poetas que poderão render no mercado editorial (por várias razões, obviamente). Também neste setor, parece haver o afamado «tráfico de influências». Aconselho a leitura do relatório (organizado pela Dr.ª Graça Capinha) - eu tenciono lê-lo.



   Seguiu-se leitura de poemas pelos seus autores, os poetas Ana Maria Ramiro (Brasil), Guilherme Zarvos (Brasil) e João Rasteiro (Portugal/Coimbra). Bons poemas e bons poetas seguramente!
   Assisti também à projeção do filme Cidade Reposta, de Márcio- André, um muito interessante e poético documentário sobre a cidade.



domingo, 15 de maio de 2011

WORLD PRESS PHOTO 11 - imagens trágicas e outras inesperadas deste planeta

 A exposição de fotografia WORLD PRESS PHOTO 11 encontra-se até ao dia 22 de maio no Museu da Eletricidade, em Lisboa. Trata-se de um extraordinária exposição de fotografias de acontecimentos e situações que ocorreram no mundo no último ano. Num planeta em que grandes tragédias aconteceram, não podemos estranhar alguns horrores que aquelas imagens revelam. Mas outras imagens espantosas e ternas nos esperam nesta exposição.