terça-feira, 29 de março de 2011

Quem nos dera uma Dilma Rousseff no governo português!

(Lusa)

  Dilma Rousseff mostrou, na entrevista a Miguel Sousa Tavares, que é uma mulher consciente dos problemas do seu país e determinada a prosseguir objetivos corretos para os ultrapassar e, na continuação da política de Lula da Silva, transformar o Brasil num país próspero, onde os brasileiros gostem de viver e vivam numa situação económica razoável.
  Dilma revelou simplicidade, bom senso, inteligência, simpatia e uma visão política nova, isto é, que aposta em mudanças na economia mundial e que tomará medidas para alterá-la.
 Gostei de ver e ouvir Dilma nesta entrevista. Gostei de ver e ouvir tudo o que não vejo nem ouço aos políticos portugueses.



Quem acredita nos «mentirosos» do processo Casa Pia?


   Eu quereria não voltar a falar do processo Casa Pia, até porque considero que todas as manifestações que, desde o final do julgamento, têm vindo a lume, são apenas o estrebuchar dos condenados.
  No entanto, fiquei completamente desiludida com o comentador de esquerda, Daniel Oliveira, que, no programa Eixo do Mal, convidou os expectadores a lerem a entrevista de uma das vítimas do processo Casa Pia, Ilídio Marques, no Jornal Expresso deste sábado. 
 Já em crónicas passadas deste mesmo jornal, Daniel Oliveira apresentava dúvidas sobre os depoimentos das vítimas deste processo, parecendo defender os acusados, sobretudo Carlos Cruz. Isso já me parecera estranho! Mas que incite à leitura de uma entrevista que, a qualquer leigo, cheira a coisa «comprada» por aqueles que tendo sido condenados não sabem parar e assumir culpas, parece-me imperdoável. Não, não posso admirar um intelectual que se deixa levar por coisa tão primária!
 Nem sequer se junta 1 + 1 para dar 2? A entrevista de Bibi não quis dizer nada? E esta agora deixa algumas dúvidas?
  Vá lá, não nos façamos de parvos, nem façamos os outros parvos!

quarta-feira, 23 de março de 2011

O governo cai, o governo não cai - CAIU (o governo de Portugal)





  No PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento), o governo português vai cair! A crise internacional, a corrupção no BPN e muita outra, opções porventura erradas para gerir os Orçamentos de Estado dos últimos anos, os nervos de uma oposição insaciável, a falta de abertura para negociar, os desastres do petróleo, a vampiresca economia capitalista (os ratings ), enfim... os partidos da oposição não aprovarão o PEC IV e Sócrates irá anunciar hoje às 20h  a sua demissão.
  Se fosse possível a formação de um governo, dito de salvação nacional, formado por todos os partidos com representação parlamentar, se fosse possível abdicar dos ideais partidários e pôr à frente o sempre citado interesse nacional, talvez se acertasse o passo e se vislumbrassem medidas que servissem para enfrentar os problemas.
  Não será este o caso! Seguir-se-ão eleições! Eu que sou otimista, penso que pode ser saudável mudar! Pode ser positivo responsabilizar outros agentes políticos! Quem sabe??


terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia (ontem) - QUARTO DE FERNANDO PESSOA








  Estive ontem na Casa Fernando Pessoa (Lisboa- Campo de Ourique) para uma sessão de leitura de poesia pelos poetas seus autores - Maria Teresa Horta, Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, Filipa Leal, José Tolentino Mendonça e Alice Vieira. Antes, passei pelo quarto de Fernando Pessoa que, neste momento, apresenta uma instalação muito interessante realizada pela equipa da Casa Fernando Pessoa (fotografias em cima).Trata-se do quarto do heterónimo Bernardo Soares.



segunda-feira, 21 de março de 2011

EI NOSTRADAMUS, de Douglas Coupland - um romance sobre um desvairado massacre numa escola secundária


  Ei Nostradamus, de Douglas Coupland, desenvolve-se a partir do tema do massacre, neste caso numa escola secundária de Vancouver, perpetrado por três alunos de uma turma do 11º ano dessa mesma escola. Trata-se  de um romance de grande atualidade pela frequência com que têm ocorrido estes atos homicidas em diversos países.
  Douglas Coupland, escritor que cresceu e vive no Canadá, cria quatro narradores, dois dos quais viveram dramaticamente a situação. Cheryl Anway é uma adolescente que almoçava tranquilamente, convivendo com as suas amigas, na cantina da escola, quando, sem poder acreditar, se vê obrigada a esconder-se debaixo de uma mesa da cantina, em amágama com muitos outros companheiros, aturdida pelos tiros, pelos canos de água que rebentavam, pelos objectos que estilhaçavam. Cheryl, antes e depois de ser baleada, descreve a situação tresloucada que observa, refere frases que ouve aos jovens assassinos - «Matar é giro!» - , relembra a sua vida, a sua relação com o namorado, com a mãe, com a religião, questionando Deus com frequência - «Meu Deus, rezo pelas almas dos três homicidas, mas não sei se isso será certo ou errado.»
  Jason, o namorado (marido) de Cheryl, que acabou com o massacre matando um dos homicidas, fica para sempre traumatizado com o que presenciou e sofreu. Não consegue voltar a ter uma vida normal e a narração, que faz de todos os acontecimentos que se seguiram ao ataque, mostra-nos o impacto negativo que este tipo de crimes tem na cidade em que acontece, gerando equívocos, injustiças, falsas culpabilidades, depressões, etc., etc.
  Neste romance, que se passa no Canadá e nos EUA, Nostradamus anuncia, de certo modo, o fim de um mundo tranquilo a que as crianças e os adolescentes  tinham direito, pelo menos enquanto estavam nas escolas. Quando as crianças se matam umas às outras e acham isso «giro», há uma tragédia implícita neste mundo cujo fim não se vislumbra um paraíso.

   Dougas Coupland é também o autor de Geração X e de Geração A.



domingo, 20 de março de 2011

Palavras de Muammar Khadafi (hoje)


(publico.pt)


   «Toda a gente tem agora armas. Vocês são terroristas. Esta é uma agressão injustificada. Não temos medo. Ao defendermos a nossa honra, estamos a preparar-nos para uma longa guerra.
  Não vamos dar a riqueza dos nossos filhos, o nosso petróleo, aos americanos, britânicos, franceses e aos povos cristãos que formaram uma coligação. Não vamos permitir que disfrutem do nosso petróleo. Eles têm que saber que nós batalhamos numa frente maior que 2000 quilómetros. Nunca vão conseguir a nossa rendição. Inevitavelmente esta terra vai derrotar-vos!»  
          By  Euronews        

LÍBIA: Muammar Khadafi - «zona de exclusão aérea», sim ou não?


(publico.pt)

  Tardou a decisão da ONU de imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia. O coronel Khadafi teve tempo para reunir e inflamar, com os seus discursos hipócritas e falaciosos, mas pretensamente patrióticos, as forças líbias de Tripoli, teve tempo para contratar mercenários, para, com o seu exército e aviação, obviamente munidos de um potencial bélico treinado e poderoso, atacar Al Zawiya, Brega, Ras Lanuf, Mistrata, todas as cidades que pacificamente tinham aderido aos rebeldes e às suas ideias e intenções, teve tempo para bombardear, matar, massacrar e limpar os vestígios das suas ofensivas destruidoras.
  A decisão da ONU, após pedido da Liga Árabe e do Conselho Nacional Líbio, chegou no dia 18 de Março, anteontem, e logo Khadafi ameaçou ripostar (isto entende-se!), mas, como líder colérico e descontrolado que é, profetizou também o terror e o caos para todos os países que participassem em ações militares na Líbia (um novo líder da Al Qaeda!).
 Ontem Khadafi, após anunciar um cessar fogo, continuou as suas operações bélicas e  iniciou a ofensiva a Bengasi, para afrontar a decisão da ONU e provocar os confrontos. Poderia ter procurado negociar, poderia ter tentado uma situação que levasse à paz. Khadafi quer o poder absoluto e, portanto, quer a guerra.
  E a guerra não se fez esperar! Aviões franceses bombardearam tanques das forças de Khadafi. E pior, os EUA lançaram dezenas de mísseis de cruzeiro sobre a Líbia! 
  Assusta-me a intervenção dos EUA. Tendo em conta as suas guerras desastrosas no  Golfo, no Iraque, no Afeganistão ( para não falar do Vietname, etc.), os EUA bem poderiam ter ficado quietos e aguardado o efeito das forças  europeias, mais equiparadas às forças líbias e menos destrutivas.
  Khadafi vai reagir de forma suicida e arrastar consigo o povo líbio que o apoia! A cólera não é boa conselheira para um líder político.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sismo após sismo, tsunami após tsunami - sismo no Japão (imagens que ultrapassam a ficção)

 
  Imagens da vida real ou imagens de um filme de Spielberg ou de Clint Eastwood (Hereafter)ou de Roland Emmerich (O dia depois de amanhã) ou de Christopher Nolan (A origem)??
  Começamos a confundir a realidade com a ficção! Nos últimos seis anos, foi o sismo e tsunami da Indonésia e Tailândia, o sismo no Haiti, o sismo no Chile, o sismo e tsunami no Japão, etc., etc. E associadas às catástrofes naturais, as catástrofes provocadas pela desvairada programação humana - as explosões das centrais nucleares! Estas ainda mais ameaçadoras que as anteriores e com repercussões mais duradouras! 
  Estas imagens do Japão passarão frente aos nossos olhos nos próximos anos como aconteceu com as catástrofes anteriores. Não sei se aprenderemos muito com elas ou se começaremos a habituar-nos e a aguardar a nossa vez!  








quarta-feira, 9 de março de 2011

POESIA, de Lee Chang-dong - a educação, a doença, o suicídio e outras formas mais belas de poesia




  O filme POESIA, do sul-coreano Lee Chang-dong revela-nos uma sociedade em que a educação dos jovens, nas famílias e nas escolas, se tornou problemática e desencadeadora de violências e injustiças.
  A protagonista, a Srª Yang Mija, uma avó de 65 anos que tem a seu cargo a educação de um neto adolescente, vê-se incapaz de corrigir a rudeza desse jovem, a sua indiferença, a sua dissimulação, a sua insensibilidade.
  A permissividade e a excessiva proteção dada aos adolescentes origina a irresponsabilidade, o egoísmo, a ausência de compaixão e de compreensão dos outros.
  A poesia, a sensibilidade para ver e recriar o mundo, a beleza da realização pessoal contrastam com esse outro mundo feito de injustiças, violências e mortes.
  Lee Chang-dong faz-nos pensar que a globalização já disseminou os vícios sociais do ocidente, que, na Coreia do Sul como nos EUA, como nos países da Europa, os problemas sociais são muito semelhantes e nós todos, os seres humanos deste planeta, confrontamo-nos com as mesmas questões - do Alzheimer ao suicídio, da violência sexual à agressão familiar.

  Outros filmes de Lee Chang-dong para ver e rever: Green Fish (1996), Peppermint Candy (2000), Oasis (2002), Secret Sunshine (2007).



terça-feira, 8 de março de 2011

Gigi Ibrahim - uma jovem mulher «repórter» da Praça Tahrir

  Neste dia da mulher (8 de Março de 2011), os parabéns a GIGI IBRAHIM, uma ativista política egipcía de 24 anos que, com um keffiyeh ao pescoço, se tornou, pela sua ação e entusiasmo, a repórter não-oficial dos protestos revolucionários na Praça Tahrir que originaram a queda de Mubarak.
  Licenciou-se em Ciência Política na Universidade Americana do Cairo e promete uma carreira como revolucionária profissional.



quinta-feira, 3 de março de 2011

Exposições em Madrid (Fevereiro/Março 2011) - JEAN-LÉON GÉRÔME e BRANGULÍ


  Em Madrid, no Museu Thyssen-Bornemisza, encontra-se uma exposição de obras de JEAN-LÉON GÉRÔME (1824-1904) que tem algum interesse ser visitada por quem se encontre em Madrid.
  Jean-Léon Gérôme foi um pintor francês famoso na sua época, embora tenha sido bastante contestado pelos realistas e pelos impressionistas por seguir uma pintura mais académica e convencional. Gostava de pintar a história como um espetáculo dramático (desde a Antiguidade Clássica até ao seu próprio tempo) e as reproduções fotográficas das suas obras tornaram-se icones da cultura popular.
  Eu gostei dos quadros do seu período oriental (mercados árabes, banhos, bailarinas, interiores de mesquitas,...).





  A exposição de Josef BRANGULÍ i Soler, exposição de fotografia industrial e documental, encontra-se na Fundación Telefónica (Gran Via). Trata-se de uma magnífica exposição de fotografias de Barcelona na primeira metade do século XX, documentando as transformações na vida quotidiana (nas fábricas, nas oficinas, nas lojas, na arquitetura, nas ruas, nas praias e também acontecimentos e conflitos públicos e privados). 
   Josef Brangulí foi um extraordinário fotorepórter e através das suas fotografias fica-se, de facto, a conhecer a paisagem social e urbana de Barcelona nos anos 1900-1945.



quarta-feira, 2 de março de 2011

DESPOJOS DE INVERNO, de Debra Granik - o Missouri, uma terra perigosa

(publico.pt)

  Este muito interessante filme, Despojos de inverno, de Debra Granik, desvenda-nos o Estado do Missouri (E.U.A.) como uma terra dominada e manchada pelo tráfico e pelas máfias da droga, a violência, o medo. A vida por esses sítios é difícil, cheia de perigos, uma desolação para qualquer ser humano digno.
  Ree, uma adolescente de 17 anos cujo pai caiu nas garras de uma máfia da droga e que está prestes a ficar sem casa, terras e qualquer meio de subsistência, enfrenta com coragem, determinação e inabalável sentido de responsabilidade essa máfia. Penetra nos lugares mais inquietantes, é menosprezada, agredida, ferida, mas sabe manter-se firme e dar uma lição de vida a quem a cerca. E também a nós espectadores!
  Tal como no filme Indomável, de Joel e Ethan Coen, este filme coloca uma adolescente, que assume defender a sua família, num mundo de homens, violentos, cristalizados em comportamentos machistas. E a adolescente arrisca enfrentar esse mundo, aconteça o que acontecer!