terça-feira, 5 de julho de 2011

VIAGEM A PORTUGAL, de Sérgio Tréfaut - uma burocracia acéfala

fotografia do dn.pt

  No aeroporto de Faro, no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, uma mulher ucraniana vê-se detida pela polícia por chegar a Portugal com um visto turístico e não um visto de residência ( vinha visitar o marido, um negro nigeriano que fizera o curso de medicina em Kiev).
  Inicialmente, a investigação parece legítima - poderia tratar-se de mais uma ucraniana seduzida por uma máfia qualquer para ser explorada como prostituta num qualquer bar de alterne como acontece com frequência. Mas o que se torna revoltante na história é que, verificado o engano e as razões honestas da viagem a Portugal da mulher ucraniana, as humilhações e o tratamento indigno para qualquer ser humano continuam por parte da mulher polícia chefe e dos «vendilhões» daquele «Templo» ( a ucraniana era médica, casada, de facto, com um médico nigeriano que era imigrante em Portugal).
  Maria de Medeiros desempenha magnificamente o papel da ucraniana e Isabel Ruth, a detestável mulher-polícia, tem também uma espantosa representação.
  Em cenários minimalistas e com meios visivelmente reduzidos, Sérgio Tréfaut conta e filma magistralmente esta história que se baseia em factos reais passados em 1998.
  A imagem desse Portugal é má e mostra uma burocracia acéfala, que não se ajusta a situações inesperadas nem entende razões humanas fora dos estereótipos legais e uniformes.
 Seria importante que os portugueses ( e não só!) vissem o filme e refletissem!


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